O culto da individualidade | Por Luiz Holanda

Se o Brasil fosse uma república parlamentar ou um governo colegiado como o da Suiça, o máximo que poderia acontecer em situações de crise seria a queda do gabinete ou, no caso de governo colegiado, a substituição de alguns de seus membros. Não haveria, portanto, os “heróis populistas” nem os “ditadores de plantão”, próprios das nações latino-americanas. Tampouco haveria desmandos, insegurança, violência, corrupção e outras mazelas, pelo menos no grau existente. Não haveria, tampouco, os “salvadores da pátria”.

As nações do nosso continente adotaram o regime presidencialista imitando os Estados Unidos, sem levar em consideração as tradições históricas que levaram aquele país a acatar tal regime. No presidencialismo implantado na América-Latina sempre predominou – e ainda predomina-, o populismo, que no Brasil ganhou dimensão quando Getúlio Vargas  implementou os direitos trabalhistas sob a justificativa de valorizar o trabalhador assalariado. Considerando a dimensidão de nossa tradicional pobreza,  tais direitos sempre foram o resultado da ação personalista de Vargas, de modo que não foi  por acaso que ele ganhou a alcunha de “pai dos pobres”.”

O populismo em nosso país chegou ao extremo na era Vargas. Ele  não só fortaleceu sua carreira política como prolongou seu mandato através de um  golpe que legitimou o Estado Novo. Após a participação na Segunda Guerra Mundial, na qual o Brasil lutou contra os regimes totalitários da Europa, a sustentação de sua ditadura se tornou praticamente impossível. Mesmo assim, ele tomou a frente do processo de redemocratização e, com isso, preservou o tom positivo de sua imagem política.

Tal conservação se mostrou eficaz a ponto de determinar a eleição do general Eurico Gaspar Dutra (1946 – 1951) e a vitória de Getúlio Vargas nas eleições de 1950, quando retornou “nos braços do povo”. A partit daí a presença de políticos que agradavam o povo e às elites se tornava parte de um jogo político cada vez mais delicado, muito enbora a aproximação das classes trabalhadoras e o nacionalismo sempre foi alvo de desconfiança.

Em Ciências Políticas, o populismo é a ideia de que a sociedade é dividida em dois grupos em conflito: “as pessoas puras” e “a elite corrupta”. O problema no Brasil é saber quem são os puros e que é a elite corrupta.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.


Descubra mais sobre Jornal Grande Bahia (JGB)

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Descubra mais sobre Jornal Grande Bahia (JGB)

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo