Urnas que chegam até por elefante e tinta contra fraudes na Índia; Saiba como funciona a maior eleição do mundo

A Índia, considerada a maior democracia do mundo, entra em um dos processos eleitorais mais curiosos com a participação de aproximadamente 900 milhões de eleitores entre abril e maio deste ano. O país, que ultrapassou a China em população no ano passado, herda do sistema político britânico a dinâmica parlamentarista, com cada região elegendo seu representante no Congresso, onde será escolhido o primeiro-ministro.

O processo eleitoral único da Índia, que dura mais de um mês, apresenta desafios e peculiaridades notáveis. Apesar do crescente uso de votos digitais, algumas regiões ainda adotam cédulas de papel. A distribuição de urnas ocorre de maneira singular, com algumas transportadas até por elefantes, visando garantir que todas as pessoas tenham uma urna disponível a uma distância de dois quilômetros de onde residem.

O especialista em ciência política, João Paulo Nicolini Gabriel, destaca a diversidade do processo, enfatizando a presença de símbolos para facilitar o voto em regiões com alta taxa de analfabetismo, que chega a cerca de 25%. Após o voto, um comprovante é impresso, e o resultado da eleição leva dias para ser confirmado, devido à votação em diferentes momentos nas diversas regiões.

As eleições de 2024 representam um teste de popularidade para o primeiro-ministro Narendra Modi, no poder há quase dez anos e com índices de aprovação acima de 70%. Seu principal adversário é o Partido do Congresso Nacional Indiano, que governou o país desde a independência até meados de 2000. Ainda que enfrente tensões diplomáticas com a China e desafios internos, a Índia se destaca como a quinta maior economia do mundo, com um PIB de US$ 3,73 trilhões (R$ 18,3 trilhões), consolidando-se como uma potência mundial.

O cenário internacional também entra em foco, com a Índia mantendo relações ambíguas entre o BRICS e uma aproximação do Ocidente. Questões geopolíticas, como a parceria com a Rússia, interesses em recursos latino-americanos, tensões diplomáticas com a China e a presença significativa de mais de 200 milhões de muçulmanos no país, são aspectos fundamentais para compreender o complexo contexto político e social enfrentado pelo país.

*Com informações da Sputnik News.


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