China emerge como potência estabilizadora e parceira do Sul Global no Oriente Médio, dizem analistas

A crise desencadeada no Oriente Médio pela recente ofensiva de Israel contra o Hamas, iniciada em 7 de outubro de 2023, e o envolvimento de diversos atores no conflito, como o grupo libanês Hezbollah e as milícias houthis, têm desgastado a imagem dos Estados Unidos na região. A política de apoio incondicional de Washington a Tel Aviv, apesar das críticas internacionais às operações das Forças de Defesa de Israel na Faixa de Gaza, tem aberto espaço para a China fortalecer sua presença na região.

Especialistas apontam que, diante desse cenário, a China vê a oportunidade de intensificar seus laços com o Oriente Médio, especialmente em áreas de extrema importância para a Nova Rota da Seda. O doutor em relações internacionais Alexandre Coelho destaca que os interesses chineses na região são diversos e estratégicos, buscando não apenas segurança energética, mas também objetivos geopolíticos e econômicos mais amplos.

Coelho observa que a China tem consolidado seu engajamento na região através de projetos de infraestrutura da Iniciativa Cinturão e Rota, fortalecendo suas relações comerciais e substituindo a União Europeia como principal parceira do Conselho de Cooperação do Golfo. A presença militar dos EUA no Oriente Médio é vista por Pequim como um risco potencial ao seu fornecimento energético, levando-a a ampliar seus esforços de vigilância e diplomáticos na região.

Além disso, a China tem promovido cúpulas e acordos diplomáticos na região, buscando parcerias estratégicas e desenvolvimento econômico regional. No entanto, a postura chinesa em relação aos ataques houthis no mar Vermelho tem sido mais reservada, refletindo a tendência histórica de evitar conflitos diretos. Para Renato Ungaretti, especialista no Observa China, a deterioração da imagem dos EUA no Oriente Médio reforça a posição da China como promotora do desenvolvimento e estabilidade na região.

Ungaretti destaca que a política externa da China de não intervenção em assuntos internos de outros países, juntamente com seu compromisso com o desenvolvimento e a cooperação, a posiciona como uma voz ativa do Sul Global no Oriente Médio. Isso se reflete em sua agenda de priorizar o desenvolvimento sobre outros interesses, ganhando aceitação entre os países da região.

*Com informações da Sputnik News.


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