Investigação da PF revela que vereador Carlos Bolsonaro utilizava assessores para obter informações ilegais da Abin

A Polícia Federal (PF) está conduzindo uma investigação sobre o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e suspeita que ele tenha utilizado assessores para solicitar informações ilegais através da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O relatório que embasou a operação realizada nesta segunda-feira (29/01/2024) contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro revela mensagens que indicam contatos entre assessores do vereador e do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, em busca de dados sobre investigações envolvendo Jair Bolsonaro e seus filhos.

Em uma mensagem obtida durante a investigação, Luciana Almeida, identificada como assessora de Carlos Bolsonaro, entra em contato com Priscila Pereira e Silva, apontada como assessora de Alexandre Ramagem. A mensagem solicita “ajuda” da “Abin paralela” e aborda dados específicos sobre inquéritos envolvendo o ex-presidente e seus filhos.

O material apreendido pela PF levou à suspeita de que os contatos entre Carlos Bolsonaro e Ramagem ocorriam por meio de seus assessores. O relatório da PF destaca que a comunicação entre os dois se dava, predominantemente, através de seus respectivos colaboradores.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou as buscas e apreensões, alegando que as provas obtidas indicam a existência de uma “organização criminosa” infiltrada na Abin. As investigações sugerem que essa organização utilizava métodos ilegais para realizar ações clandestinas, incluindo o monitoramento ilegal de autoridades e o acompanhamento impróprio de investigações relacionadas a aliados políticos.

Na quinta-feira (21), o ministro também autorizou buscas contra o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor-geral da Abin durante o governo de Jair Bolsonaro, no âmbito da operação conhecida como “Abin paralela”.

A defesa, liderada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão do vereador, contestou a operação, classificando-a como “ato ilegal” e “imoral”, destacando a discordância quanto à amplitude da ordem judicial.


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