Reportagem de Rafael Pedro Pitombo, publicada neste domingo (24/03/2024) no Jornal Folha de S.Paulo, rememora a luta pela Democracia travada pelo então prefeito Francisco José Pinto dos Santos (Chico Pinto ★1930 — †2008). Conforme narra a matéria, a atmosfera tensa da noite de 31 de março de 1964 envolveu Feira de Santana, situada a 109 km de Salvador, com a notícia do golpe de Estado em curso no Brasil. O prefeito Francisco Pinto, eleito pelo centrista PSD em 1962, porém reconhecido por suas inclinações progressistas, e seus aliados, debatiam fervorosamente estratégias de resistência na sede do paço municipal e em sua própria residência.
Francisco Pinto, nascido em 16 de abril de 1930, havia construído sua gestão com políticas precursoras que antecipavam demandas da esquerda. Sua relação próxima com o PCB e sua administração marcada pelo pioneirismo, como o orçamento participativo e a adoção de políticas de Paulo Freire na educação, o colocaram em rota de colisão com setores conservadores.
No entanto, mesmo diante da disposição para resistir ao Golpe, a falta de um plano efetivo e a escassez de armamentos conduziram à desmobilização precoce. A adesão do governador Lomanto Júnior ao golpe e a ausência de uma reação mais ampla no estilo da campanha de legalidade foram golpes adicionais à resistência.
A prisão e cassação de Francisco Pinto se tornaram inevitáveis para as forças políticas e militares reacionárias que assumiram o comando do País. Após dias de pressão e mobilização militar na cidade, ele foi preso em sua residência e posteriormente cassado por um decreto assinado por apenas três membros da mesa diretora da Câmara Municipal.
Apesar das dificuldades e perseguições enfrentadas, Francisco Pinto retomou sua atuação política pelo MDB, sendo eleito deputado federal em 1970. Sua coragem e destemor o destacaram como uma figura proeminente da oposição ao regime militar, sendo posteriormente cassado novamente em 1974 por seu discurso contra o ditador chileno Augusto Pinochet.
A vida pública de Francisco Pinto encerrou-se em 1991, e sua contribuição política foi relembrada após sua morte em 2008. Em 2014, seis anos após seu falecimento, a Câmara Municipal de Feira de Santana simbolicamente restituiu-lhe o mandato de prefeito, honrando sua trajetória marcada pela coragem e pela defesa incansável da democracia.
A trajetória do ex-prefeito Chico Pinto é lembrada como um exemplo de resistência e compromisso político em tempos difíceis para o país.








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