Venda da Avibras reflete ‘declínio na ambição nacional’, diz ex-ministro da Defesa

Avibras Indústria Aeroespacial, empresa chave na Base Industrial de Defesa do Brasil, está sob avaliação para venda ao grupo australiano DefendTex.
Avibras Indústria Aeroespacial, empresa chave na Base Industrial de Defesa do Brasil, está sob avaliação para venda ao grupo australiano DefendTex.

A possível venda da Avibras Indústria Aeroespacial para o grupo australiano DefendTex vem despertando críticas e preocupações sobre a soberania nacional e a segurança do país. Em entrevista à Sputnik Brasil, o ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo classificou o episódio como “um capítulo triste e lamentável” e ressaltou que reflete um “declínio geral na ambição nacional e no projeto de se constituir como nação independente e próspera”.

A Avibras, empresa brasileira desenvolvedora de mísseis e foguetes para aplicações militares, enfrenta uma terceira crise financeira em seus 60 anos de história, acumulando dívidas que ultrapassam os R$ 600 milhões. O processo de recuperação judicial da companhia tem sido acompanhado de perto, suscitando debates sobre a venda de ativos e a negociação de dívidas.

Segundo o mestre em governança corporativa, Marcello Marin, a recuperação judicial é um mecanismo destinado a evitar a falência das empresas, permitindo sua reorganização financeira e negociação de débitos. No caso da Avibras, a situação é delicada, especialmente devido às implicações para a segurança nacional e à transferência de tecnologia para o exterior.

Aldo Rebelo destacou que a venda da Avibras é um reflexo das deficiências mais amplas do Brasil em matéria de defesa e tecnologia. O país, que já foi líder em setores tecnológicos de ponta, agora enfrenta desafios em preservar sua soberania e desenvolvimento nacional. Rebelo ressaltou os feitos passados do Brasil na área tecnológica, como no setor nuclear e da informática, mas lamentou a negligência das elites em manter e fortalecer essas conquistas.

Apesar das críticas e preocupações levantadas, o processo de recuperação judicial da Avibras segue seu curso, com negociações de dívidas e possíveis vendas de ativos. As circunstâncias específicas da empresa exigem uma abordagem cuidadosa, considerando não apenas questões financeiras, mas também estratégicas para a segurança e defesa nacional. A venda para investidores estrangeiros, como a DefendTex, levanta questões sensíveis sobre a preservação da soberania e da tecnologia nacional.

*Com informações da Sputnik News.


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