O escritor, professor e ex-deputado pelo Partido dos Trabalhadores, Emiliano José, lançou seu mais recente livro, “Zanetti: o Guardião do Óleo da Lamparina”. Publicada pela editora Kotter, a obra de quase 500 páginas foca na vida de José Carlos Zanetti, um revolucionário paranaense que se mudou para a Bahia, onde foi preso e torturado durante a ditadura militar. O livro apresenta uma visão detalhada das dificuldades enfrentadas por Zanetti e outros opositores do regime, além de sua luta contínua pelos direitos humanos.
“Um personagem muito rico para evidenciar um tempo que era sombrio e, ao mesmo tempo, de muita esperança, que foi o tempo da época da ditadura, os 21 anos de ditadura. Nós convivemos na militância, eu o conheci em 1968 e, desde lá, nós caminhamos juntos, separados e juntos, cada um no seu território, mas sempre comungamos dos mesmos ideais e militamos juntos, ele sempre me acompanhou na luta política, em momentos que eu disputava mandatos”, destacou.
A metáfora no subtítulo
“O guardião do Óleo da Lamparina” é uma metáfora inspirada no teólogo Leonardo Boff, que simboliza a perseverança e a esperança mantidas por Zanetti mesmo nos tempos mais difíceis.
Emiliano José explica que a imagem da lamparina acesa, alimentada pelo óleo, representa a manutenção dos sonhos e ideais que Zanetti nunca deixou de nutrir.
Amizade e trajetória compartilhada
Emiliano José, amigo de longa data de Zanetti, descreve-o como um personagem essencial para ilustrar a era da ditadura, marcada por repressão e esperança. O autor conheceu Zanetti em 1968, e desde então compartilharam a militância política, mesmo que em diferentes territórios.
O autor detalha no livro a trajetória de Zanetti desde a juventude no Paraná, onde inicialmente conservador, tornou-se líder estudantil e militante da Ação Popular (AP).
Zanetti percorreu vários estados brasileiros e, em 1970, mudou-se para a Bahia, onde foi preso em 1971. A obra de Emiliano José não apenas relata a história pessoal de Zanetti, mas também as trajetórias de outros dirigentes da AP, como Antônio Rabelo, Renato Godinho Navarro e Tibério Canudo de Queiroz Portela, todos presos e torturados pelo regime.
Após sua prisão, Zanetti tentou seguir carreira no jornalismo, mas acabou se dedicando à Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cesi), atuando profundamente na luta pelos direitos humanos. Seu trabalho abrangeu desde as periferias urbanas até comunidades indígenas e de agricultores familiares, sempre com um enfoque ecumênico e progressista.
Emiliano José expressa que escreveu o livro com grande dedicação, homenageando Zanetti, a quem considera um ser humano extraordinário. Ele descreve Zanetti como alguém que cativava todos ao seu redor, um “revolucionário amoroso” que, apesar das adversidades, mantinha sempre a ternura.
“O Zaneti é um dos melhores, senão o melhor ser humano com que me defrontei na vida. E eu disse, no dia do seu velório, que ele foi o melhor de nós e era mesmo. O José Sérgio Gabrielli de Azevedo o chamava de ‘mãe’, uma maneira de dizer como ele tratava as pessoas. A pastora Sônia Mota, dirigente da Cesi, o definiu como um ‘revolucionário amoroso’, uma descrição perfeita do Zaneti. Tenho dito que ele é o nosso Che, Che no sentido de que ele absorveu do Che a ternura. O Che dizia ou dizem que ele dizia “ser duro sem jamais perder a ternura”, ser duro para Zaneti, não, agora a ternura, sim, sempre. Era um sujeito incapaz da dureza, incapaz do argumento raivoso”, concluiu.
*Os interessados em adquirir o livro podem entrar em contato pelo WhatsApp 71 9997 – 8635.









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