O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um discurso que durou mais de 20 minutos durante o fórum da Coalizão para Justiça Social da Organização Internacional do Trabalho (OIT), realizado em Genebra nesta quinta-feira (13/06/2024), fez um chamado contundente pela taxação dos super-ricos e uma crítica contundente à concentração de riqueza global. Lula iniciou seu discurso destacando o alarmante crescimento do número de bilionários no mundo, apontando que cerca de 3 mil indivíduos possuem um patrimônio combinado de quase US$ 15 trilhões, cifra que ultrapassa o PIB de grandes economias como Japão, Alemanha, Índia e Reino Unido juntos.
O ex-presidente brasileiro argumentou que a atual concentração de renda é injusta e insustentável, chegando a alfinetar Elon Musk, fundador da Space X, ao mencionar que alguns indivíduos possuem até programas espaciais privados enquanto problemas urgentes como mudanças climáticas persistem na Terra.
“Não precisamos buscar soluções em Marte. É a Terra que precisa do nosso cuidado”, afirmou Lula, sendo aplaudido diversas vezes durante seu pronunciamento.
Lula também abordou a necessidade de uma nova ordem global mais equitativa, onde os benefícios da tecnologia, como a inteligência artificial, sejam distribuídos de maneira justa entre todos os países, evitando reforçar desigualdades geopolíticas, culturais e sociais. Ele anunciou que o Brasil irá trabalhar pela ratificação da emenda de 1986 à Constituição da OIT, que propõe eliminar os assentos permanentes dos países mais industrializados no conselho da organização, buscando uma representação mais equilibrada e democrática.
A crise climática também foi tema central do discurso de Lula, que destacou as recentes enchentes no sul do Brasil e em outras partes do mundo como evidências de que o planeta está em perigo. Ele assegurou que a COP 30, prevista para ocorrer em Belém, no coração da Amazônia, terá a crise climática como prioridade, enfatizando que as florestas tropicais não devem ser tratadas como meros recursos a serem explorados, mas sim como ecossistemas vitais para milhões de pessoas que dependem delas para sobreviver.
Além das questões ambientais e econômicas, Lula abordou a importância da democracia e da participação social na conquista de direitos trabalhistas e sociais. Ele lembrou a relevância dos processos eleitorais globais em 2024, sublinhando que a democracia é essencial para garantir justiça e igualdade.
Durante sua estadia em Genebra, Lula se encontrou com autoridades internacionais e participou de reuniões estratégicas, destacando-se seu compromisso com a justiça social e a inclusão global. Ao comentar sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia, Lula reafirmou o posicionamento do Brasil em favor da paz, sem tomar partido entre os beligerantes, enfatizando a necessidade de diálogo e negociações para alcançar uma solução pacífica.
*Com informações da RFI.








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