A Escola Àbámodá, reconhecida como a primeira Escola Livre e Gratuita de Moda, Arte e Cultura da Bahia, abriu inscrições para cursos formativos na área de moda afro-indígena. As inscrições, que vão até o dia 26 de julho, são direcionadas a empreendedores e criativos interessados em desenvolver habilidades específicas em corte e costura, modelagem, estamparia, jóias em metais, biojoias e crochê. As aulas serão realizadas semanalmente em Cachoeira (BA) a partir de 7 de agosto e terão duração média de cinco meses.
Os cursos serão oferecidos em duas turmas: uma na sede da Àbámodá, localizada na Rua João Vieira Lopes, nº 2, no centro de Cachoeira, e outra no Quilombo Engenho da Ponte. As vagas são abertas para jovens e adultos de todos os gêneros, a partir de 16 anos, provenientes de qualquer território baiano. Mães adolescentes, a partir de 14 anos, também podem participar, desde que estejam matriculadas e assíduas na escola.
Este projeto, que marca a primeira fase da iniciativa, também incluirá, em etapas futuras, cursos focados em gestão, finanças, vendas, comunicação e marketing. A fase final do projeto visa a produção e exposição das peças criadas pelos alunos, além de selecionar empreendedores para um estágio laboral e processo de incubação, com possibilidade de receber investimentos financeiros de acordo com a demanda de cada negócio.
Àbámodá nasce da experiência de mais de 20 anos da pesquisadora e gestora cultural, Luísa Mahin, que tem se dedicado a metodologias de qualificação profissional e geração de renda para mulheres e comunidades afro-indígenas da Bahia. A metodologia adotada pela escola valoriza a formação integral do indivíduo, abrangendo aspectos relacionados ao trabalho, identidade, cultura e propósito pessoal. Além da formação técnica, o projeto inclui apoio emocional e terapêutico, estágios remunerados e investimentos iniciais para empreendimentos dos participantes.
O projeto será realizado pelo Instituto Casa de Barro em parceria com o Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (MinC) e da Secretaria de Formação Cultural, Livro e Leitura (Sefli). Esta iniciativa integra o Programa Olhos D’água, parte da Rede Nacional das Escolas Livres de Formação em Arte e Cultura.
Luísa Mahin: Trajetória e contribuições na gestão cultural
Luísa Mahin, gestora cultural, pesquisadora e agente cultural de desenvolvimento, possui uma extensa trajetória acadêmica e profissional. É bacharela em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas, mestre em Desenvolvimento e Gestão Social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Além disso, possui um MBA em Empreendedorismo Social e Negócios de Impacto pelo Instituto Legado.
Com 22 anos de atuação na gestão de projetos sociais e culturais, Luísa Mahin trabalhou em diversas organizações e projetos, tanto nacionais quanto internacionais, focando no desenvolvimento local, culturas, identidades, patrimônio cultural imaterial, moda, gênero, promoção da equidade racial e criatividades. Em 2005, co-fundou o Instituto Casa de Barro na Bahia, onde desenvolveu e coordenou projetos nas áreas de literatura, arte e educação, patrimônio cultural imaterial, educação patrimonial, teatro, contação de histórias, fotografia, cinema e audiovisual, e rádio.
Desde 2021, através do projeto IRMANDADE – Universidade Livre de Arte e Cultura, Luísa tem se dedicado à qualificação profissional e geração de renda para mulheres e comunidades afro e indígenas da Bahia. Atualmente, está envolvida em projetos que visam combater a violência e promover a autonomia de mulheres, focando na inclusão, empoderamento social, articulação de políticas antirracistas e equidade de gênero.
Luísa Mahin foi vencedora do 1º Prêmio Pretas Potências da PretaHub em 2023. Entre seus projetos de destaque, está “A bença, rezadeira!”, que resultou na produção de um documentário com 18 rezadeiras do Recôncavo em 2020, premiado diversas vezes. Ela também coordenou a exposição fotográfica “A voz de Iyá” com 14 rezadeiras do Recôncavo da Bahia em 2018 e atuou como assistente de objetos no filme Mariguella de Wagner Moura. Em 2016, foi responsável pela produção e edição do livro “Mulheres Sagradas” de Aidil Araújo.
Em 2010, residiu em Cusco, Peru, onde atuou no CRESPIAL (Centro Regional para la Salvaguardia del Patrimonio Cultural Inmaterial de America Latina). Lá, pesquisou projetos políticos e de articulação para a promoção da diversidade cultural, proteção e salvaguarda do patrimônio cultural imaterial e regulação da propriedade intelectual de conhecimentos tradicionais e coletivos em países da América Latina. Durante esse período, desenvolveu atividades de campo em comunidades artesãs tradicionais do Vale Sul Andino, incluindo Pisac, Ollantaytambo, Chinchero, Racqui, Machaccmarca, Urcos e Tinta.
A trajetória de Luísa Mahin é marcada por um compromisso contínuo com o desenvolvimento cultural e social, com ênfase na promoção da diversidade e na valorização das culturas afro e indígenas. Seus projetos refletem uma abordagem integral, que busca não apenas a formação técnica, mas também o apoio emocional e social necessário para a autonomia e o empoderamento das comunidades.
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