Os intensos combates em curso na Cidade de Gaza forçaram cerca de 84 mil pessoas a fugirem em poucos dias, segundo informações de agentes humanitários da ONU divulgadas nesta segunda-feira (01/07/2024). O êxodo do distrito de Shujaiya, no leste da Cidade de Gaza, ocorre após dias de bombardeios intensos relatados pelo exército israelense, cujos tanques foram avistados a aproximadamente 100 metros da estrada Salah El Din, o principal eixo norte-sul.
De acordo com a Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos (Unrwa), as pessoas nesta área estão enfrentando condições extremas, relatando que estão “comendo folhas de árvores ou farinha para sobreviver”. Louise Wateridge, especialista de Comunicação da Unrwa, descreveu a destruição nas áreas afetadas como “apocalíptica”. A maioria das pessoas perdeu suas casas, total ou parcialmente, e teve que fugir com poucos pertences.
A representante da Unrwa destacou que muitas pessoas perderam membros de suas famílias e que as mulheres grávidas e as pessoas com deficiência estão entre as mais vulneráveis, devido à dificuldade de se deslocarem durante os ataques. A violência impediu a agência de acessar seu centro de distribuição no bairro de Tuffah, na Cidade de Gaza, por causa da proximidade com a linha de frente do conflito.
Das aproximadamente 84 mil pessoas atualmente deslocadas, cerca de 10,6 mil encontraram abrigo em 27 locais, incluindo escolas da Unrwa, onde estão disponíveis postos de saúde temporários. Outros deslocados estão hospedados em escolas públicas, edifícios e áreas abertas. A Unrwa já distribuiu água, pacotes de alimentos e farinha, e a distribuição de fraldas, colchões e lonas está planejada para esta segunda-feira.
Parte do combustível necessário para as ações da agência foi entregue no domingo através da cerca que separa Gaza de Israel. Uma quantidade limitada de diesel também entrou no enclave para alimentar geradores hospitalares e usinas de dessalinização, mas as necessidades continuam enormes, segundo profissionais humanitários.
A última atualização do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) indica que as restrições de acesso, a insegurança e os confrontos em andamento continuam “impedindo significativamente” a entrega de assistência e serviços humanitários essenciais em Gaza. A agência informou na sexta-feira que as limitações impactam a “ajuda alimentar e nutricional, cuidados médicos, apoio a abrigos e serviços de água, saneamento e higiene para centenas de milhares de pessoas necessitadas”.
O Ocha destacou que as autoridades israelenses facilitaram menos da metade das mais de 100 missões de assistência humanitária planejadas para o norte de Gaza em junho. Segundo a agência, “o restante foi impedido, teve acesso negado ou foi cancelado por motivos logísticos, operacionais ou de segurança”.
Comentando a operação militar israelense em andamento em Rafah, que começou no mês passado, Louise Wateridge afirmou que o sul de Gaza “agora se assemelha às cenas apocalípticas do norte e da Cidade de Gaza”. Ela afirmou que a Unrwa continua fornecendo “o máximo possível de serviços humanitários e suprimentos, entregando alimentos, assistência médica e atividades de aprendizagem para crianças”. No entanto, a representante da agência explicou que está se tornando “quase impossível para a ONU fornecer qualquer tipo de resposta devido ao cerco imposto por Israel”.
Segundo Wateridge, faltam combustível, suprimentos e segurança, deixando as equipes de ajuda com muitas dificuldades enquanto “lutam para sobreviver durante esta guerra”.
*Com informações da ONU News.








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