O governo federal anunciou uma série de ações de combate à fome com foco nas mulheres negras, em evento realizado no Palácio Guanabara, Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (25/07/2024). A data, Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, foi escolhida para dar visibilidade a questões como violência, racismo e sexismo. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, liderou o anúncio.
As ações fazem parte do programa Brasil sem Fome, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), somando R$ 330 milhões em investimentos. Anielle Franco explicou que a atenção especial às mulheres negras deve-se à maior vulnerabilidade dessa população.
“Setenta e cinco por cento das casas com insegurança alimentar grave são de pessoas negras. Nas casas chefiadas por mulheres negras, 40% são afetadas pela fome de alguma forma”, afirmou a ministra.
Insegurança alimentar grave ocorre quando a pessoa não tem acesso a alimentos e passou um dia ou mais sem comer. O programa prevê investimentos na formação de gestores e profissionais do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), além de estudos e pesquisas de dados.
“Precisamos dos dados para saber onde está a população vulnerável e aonde queremos chegar”, disse Anielle.
A ministra informou que haverá esforços para aprimorar cadastros de populações tradicionais e específicas, como favelas, periferias quilombolas, povos de terreiros e matriz africana. Outra ação é o fomento de cozinhas solidárias e projetos liderados por mulheres negras.
“Quem melhor conhece o problema da fome é quem lida com ele no dia a dia”, declarou Anielle.
Anielle Franco também citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Enquanto houver família sem comida na mesa, crianças nas ruas e jovens sem esperança, não haverá paz”. Ela defendeu o uso de recursos públicos para combater desigualdades. “Cada real investido para enfrentar a desigualdade retorna à sociedade, multiplicando a qualidade de vida e direitos”, afirmou.
O evento também marcou a adesão do governo do Rio de Janeiro ao Plano Brasil sem Fome. O governador Cláudio Castro expressou a intenção de aumentar o número de restaurantes populares no estado. Atualmente, existem 12 restaurantes populares, que oferecem refeições por R$ 1. Castro pretende expandir esse número para entre 35 e 40 até o final de seu mandato em 2026. “Pode faltar dinheiro para tudo, mas não vai faltar para alimentar o nosso povo”, garantiu.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, destacou que o combate à insegurança alimentar no país é feito de forma conjunta entre complementação alimentar e políticas de transferência de renda. Ele defendeu a inclusão dos pobres no orçamento: “Quando ajudamos as pessoas a saírem da fome e da pobreza, promovemos o crescimento da classe média e do país”.
Dias informou que o governo federal transferirá R$ 6,6 bilhões para pessoas em situação de vulnerabilidade no estado do Rio de Janeiro, por meio de programas como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC). O ministro enfatizou a importância da busca ativa para localizar todas as pessoas vulneráveis que têm direito a esses programas. “Vamos garantir direito a quem tem direito”, disse.
O subdiretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, Mario Lubetkin, elogiou o desempenho do Brasil no combate à fome. Ele mencionou o Relatório das Nações Unidas sobre o Estado da Insegurança Alimentar Mundial, que revelou que mais de 14,7 milhões de brasileiros deixaram de passar fome em 2023. Ainda assim, o Brasil figura no Mapa da Fome, com 2,5 milhões de pessoas nessa situação. “Os números do Brasil são um estímulo. Foi graças ao Brasil que houve queda na tendência do problema na América do Sul”, afirmou Lubetkin, destacando a importância de garantir que as pessoas comam bem.
*Com informações da Agência Brasil.








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