Nesta quinta-feira (04/07/2024), a Polícia Federal (PF) indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu ex-ajudante de ordens Mauro Cid no caso das joias sauditas. O relatório parcial da investigação foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que é o relator do caso.
A investigação apurou o funcionamento de uma organização criminosa que desviava e vendia presentes de autoridades estrangeiras durante o governo Bolsonaro. Segundo as regras do Tribunal de Contas da União (TCU), os presentes de governos estrangeiros deviam ser incorporados ao Gabinete Adjunto de Documentação Histórica (GADH), setor da Presidência da República responsável pela guarda dos presentes, que não poderiam ficar no acervo pessoal do ex-presidente.
Conforme as investigações, os desvios ocorreram entre meados de 2022 e início de 2023, com as vendas sendo operacionalizadas por Mauro Cid. A PF também indiciou mais 11 investigados, incluindo o pai de Mauro Cid, general de Exército Mauro Lourenna Cid, Osmar Crivelatti e Marcelo Câmara, ex-ajudantes de ordens de Bolsonaro, além do advogado do ex-presidente, Frederick Wasseff.
Com o indiciamento dos acusados, o caso deverá seguir para a Procuradoria-Geral da República, que decidirá se o ex-presidente e os demais investigados serão denunciados ao Supremo Tribunal Federal. Durante as investigações, a PF apurou que parte das joias saiu do país em uma mala transportada no avião presidencial. Em um dos casos, o general Cid recebeu na própria conta bancária US$ 68 mil pela venda de um relógio Patek Philippe e um Rolex. O militar trabalhava no escritório da Apex em Miami.
Entre os itens desviados estavam esculturas de um barco e de uma palmeira folhadas a ouro, recebidas por Bolsonaro durante uma viagem ao Bahrein em 2021. A defesa de Bolsonaro ainda não se pronunciou. Pelas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro criticou o indiciamento do pai e acusou a PF de perseguição.
“A perseguição a Bolsonaro é declarada e descarada! Alguém ganha um presente, uma comissão de servidores públicos decide que ele é seu. O TCU questiona e o presente é devolvido à União. Não há dano ao erário! Aí o grupo de PFs, escalados a dedo pra missão, indicia a pessoa”, escreveu.
O advogado de Bolsonaro e ex-secretário do governo do ex-presidente, Fábio Wajngarten, também foi indiciado. Em nota, ele considerou ilegal seu indiciamento pela PF. Wajngarten afirmou que tomou conhecimento do caso das joias pela imprensa e, na condição de defensor, orientou a entrega dos itens ao TCU.
“Portanto, a iniciativa da Polícia Federal de pedir meu indiciamento no caso dos presentes recebidos pelo ex-presidente é arbitrária, injusta e persecutória. É uma violência inominável e um atentado ao meu direito de trabalhar”, declarou.
*Com informações da Agência Brasil.








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