Polícia Federal apresenta ao STF indícios de ocultação de joias sauditas envolvendo Fabio Wajngarten e Jair Bolsonaro

A Polícia Federal entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (27/01/2025), novos elementos que reforçam o indiciamento de Fabio Wajngarten por associação criminosa e lavagem de dinheiro no caso da venda de joias sauditas. Wajngarten, que foi secretário de Comunicação Social da Presidência da República durante o governo Bolsonaro, é acusado de participar do esquema que ocultava a localização e a movimentação das joias recebidas pelo governo brasileiro como presente da Arábia Saudita.

O inquérito aponta que o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros 11 indivíduos se beneficiaram da venda ilegal de quatro conjuntos de joias, negociados nos Estados Unidos por assessores próximos. O valor total arrecadado chegou a quase R$ 7 milhões. Os itens incluíam relógios de marcas de luxo, como Rolex e Patek Philippe, além de esculturas.

Entre os novos indícios está uma procuração assinada por Bolsonaro que autorizava Fabio Wajngarten a retirar e transportar um dos kits de joias, denominado “ouro rosê”, do Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo a PF, o modus operandi utilizado por Wajngarten para resgatar este conjunto foi semelhante ao aplicado por Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, para recomprar outros itens do acervo no exterior.

Fabio Wajngarten negou as acusações e afirmou, por meio de suas redes sociais, que tomou conhecimento da procuração pela imprensa. Ele declarou que seu papel foi apenas técnico e que seguiu as determinações de depositar os itens junto ao TCU.

As investigações revelam ainda que as joias foram recebidas em 2022 e transportadas no avião presidencial. Dois relógios, um Patek Philippe e um Rolex, foram vendidos pelo general Mauro Lourena Cid, pai de Mauro Cid, nos Estados Unidos, com depósitos de US$ 68 mil em sua conta bancária. O general, à época, trabalhava na ApexBrasil, em Miami.

Mauro Cid, que esteve preso preventivamente por quatro meses, confirmou em delação premiada sua participação no esquema de vendas das joias e em fraudes relacionadas a cartões de vacinação. O ex-presidente Jair Bolsonaro, sua esposa Michelle Bolsonaro e Fabio Wajngarten foram convocados a depor sobre o caso em agosto de 2023, mas optaram por permanecer em silêncio.

Bolsonaro, inelegível até 2030 por condenação no Tribunal Superior Eleitoral, enfrenta novas acusações que podem ampliar seu quadro jurídico desfavorável.

*Com informações da Sputnik News.


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