A Comissão Europeia oficializou hoje a aplicação de tarifas significativas sobre veículos elétricos a bateria (VEB) fabricados na China, em uma decisão que entra em vigor a partir de 5 de julho de 2024. A medida visa conter o influxo de VEB chineses no mercado europeu, acusados de serem vendidos a preços artificialmente baixos devido a subsídios estatais que distorcem a concorrência.
O anúncio segue uma investigação detalhada que revelou subsídios abrangentes em toda a cadeia de produção dos VEB chineses, desde a extração de matérias-primas para baterias até o transporte marítimo dos produtos acabados para a Europa. Esta prática permitiu aos fabricantes chineses capturar uma fatia significativa do mercado europeu, passando de 3,9% em 2020 para 25% em 2023, conforme dados da Comissão.
A imposição das tarifas tem o objetivo de proteger os produtores europeus e seus empregos, que enfrentam uma ameaça econômica crescente devido à concorrência desleal. O impacto da medida será diferenciado, com tarifas variando conforme a empresa e o volume de subsídios presumidos recebidos:
- BYD: 17,4%
- Geely: 19,9%
- SAIC: 37,6%
- Outros produtores colaboradores no inquérito: 20,8%
- Outros produtores não colaboradores: 37,6%
As tarifas serão inicialmente provisórias, exigindo garantias bancárias dos exportadores chineses enquanto os Estados-Membros realizam uma votação exploratória nas próximas semanas. A decisão final sobre a permanência das tarifas está prevista para novembro e requer uma maioria qualificada para ser revertida.
A China já criticou veementemente a investigação da UE, alegando que é um ato protecionista que exagera os subsídios e distorce a realidade do mercado. Pequim ameaçou tomar medidas retaliatórias, como a recente investigação anti-dumping sobre carne de porco da UE, sinalizando um potencial aumento das tensões comerciais entre as duas potências.
Apesar das negociações em curso entre Bruxelas e Pequim, a perspectiva de uma solução negociada parece incerta, deixando ambos os lados preparados para um impasse prolongado e possíveis repercussões econômicas globais.
*Com informações da Euronews.








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