A Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) avança na promoção de um ambiente acadêmico inclusivo e acolhedor com o projeto de extensão “Afiliação Estudantil na UEFS: Micropolítica e Subjetividade”. Coordenado pelos professores Maria Eunice Borja e Clodoaldo da Paixão, o projeto busca apoiar os novos estudantes no período crucial de transição do ensino médio para a universidade, abordando as especificidades desse processo e seus desafios, conforme os conceitos desenvolvidos pelo pesquisador Alain Coulon (2008).
Desafios da Transição e a Necessidade de Suporte
Os professores explicam que o primeiro ano na universidade é um período decisivo para que os estudantes se situem em um novo ambiente, onde as relações sociais exigem atitudes propositivas e alinhadas às normas institucionais.
“Este contexto promove modificações subjetivas na relação dos estudantes com o conhecimento e a produção acadêmica. As taxas de evasão nesse período são um indicativo dos conflitos gerados pela incompreensão das regras do mundo acadêmico e o esforço emocional necessário para enfrentar o desconhecido”, afirmam.
Mudança de Perfil dos Estudantes e Políticas de Inclusão
Com a implementação de políticas públicas de ações afirmativas, a educação superior na Bahia tem se tornado mais inclusiva, refletindo a pluralidade e representatividade da população.
A UEFS, desde a adoção das cotas sociais e raciais em 2007, vem experimentando uma transformação no perfil dos seus estudantes.
A entrada de alunos de origem popular, trabalhadores-estudantes, jovens negros, indígenas e quilombolas, muitos dos quais são os primeiros de suas famílias a ingressar na universidade, tem ampliado a democratização do ensino superior na região.
“Apesar dos avanços, a evasão permanece um desafio constante, evidenciando a necessidade de medidas pedagógicas que ofereçam suporte efetivo aos novos perfis de estudantes”, declaram
O projeto “Afiliação Estudantil na UEFS: Micropolítica e Subjetividade” pretende contribuir para a construção de um ambiente universitário que valorize a escuta ativa e a atenção às demandas dos estudantes em processo de afiliação.
Fundamentos Teóricos e Contexto do Projeto
O projeto de extensão é fundamentado no estágio pós-doutoral realizado por Maria Eunice Borja no Programa de Pós-Graduação Estudos Interdisciplinares sobre a Universidade (PPGEISU-UFBA), sob a supervisão da Dra. Sônia Sampaio, fundadora do Observatório da Vida Estudantil (UFBA-UFRB). Este embasamento teórico reforça a importância de integrar ensino, pesquisa e extensão, fortalecendo a democratização da educação superior pública no Brasil.
“Desde a publicação do livro “A Condição de Estudante: a entrada na vida universitária” em 2008, diversas pesquisas têm sido realizadas no país sobre a afiliação estudantil. Na Bahia, o Observatório da Vida Estudantil tem conduzido estudos há quinze anos, reunindo uma rede de pesquisas que culminaram em sete obras sobre o tema, explica a professora Maria Eunice Borja.
Objetivos e Metodologia do Projeto
O projeto tem como objetivo geral contribuir para o desenvolvimento de um ambiente universitário de atenção e escuta para os estudantes em processo de afiliação.
“Entre os objetivos específicos, destacam-se a realização de atividades formativas que promovam a compreensão do processo de afiliação estudantil, o desenvolvimento de um ambiente acolhedor que favoreça a construção de um percurso bem-sucedido, e a promoção de uma micropolítica comprometida com a permanência estudantil na UEFS”, explica Clodoaldo Paixão.
A operacionalização do projeto se dará por meio de oficinas presenciais e quinzenais com estudantes ingressantes entre 2023 e 2024. As oficinas abordarão temas relacionados ao processo de afiliação estudantil, seus obstáculos e possibilidades de superação.
“Espera-se que o ambiente formativo acolhedor e atento aos modos de subjetivação dos participantes promova vínculos afetivos e de cooperação, fomentando uma micropolítica favorável à permanência estudantil”, expõe Maria Eunice Borja.
Narrativas Autobiográficas como Ferramenta de Reflexão
Uma das metas do projeto é a produção de narrativas autobiográficas estudantis, onde os participantes escreverão sobre seu processo de afiliação na UEFS. Estas narrativas serão reunidas em uma publicação, proporcionando uma reflexão profunda sobre a vida estudantil e a complexidade formativa envolvida. A escrita autobiográfica, conforme os estudos de Abrahão, Cunha e Bôas (2018), convoca os sujeitos a iluminar aspectos de sua trajetória, estabelecendo conexões antes invisíveis e percebendo a formação de maneira mais ampla.
Sobre os Coordenadores
Maria Eunice Limoeiro Borja é professora da UEFS no Departamento de Ciências Humanas e Filosofia (DCHF). Com uma trajetória acadêmica que inclui pós-doutorado em Estudos Interdisciplinares sobre a Universidade, doutorado em Ciências Sociais, mestrado em Sociologia e bacharelado em Ciências Sociais, ela integra o núcleo Corpo-Território, Educação e Decolonialidade na UEFS e o Observatório da Vida Estudantil.
Clodoaldo Almeida da Paixão é professor assistente da UEFS no Departamento de Ciências Humanas e Filosofia (DCHF). Graduado em História e Mestre em Sociologia, ele coordena a Área de Conhecimento em Ciência Política no DCHF e integra o Núcleo de Estudos Sobre Mulheres e Relações de Gênero (Mulieribus/DCHF/UEFS).








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