Sociedade de Angiologia cobra melhoria no serviço de Atenção Básica de Feira de Santana gerido pelo Governo Municipal

A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), em meio à Campanha Azul Vermelho, que tem como objetivo conscientizar a população sobre a prevenção de doenças circulatórias silenciosas, trouxe à tona uma questão preocupante para Feira de Santana: a baixa cobertura de atenção básica no município, que compromete significativamente a saúde da população local, especialmente na identificação e prevenção dessas condições graves. O serviço de saúde é gerido pelo governo municipal, que vem enfrentado críticas por conta da falta de estrutura física e organização adequada ao adequado atendimento da população.

As doenças vasculares, como a Doença Arterial Periférica (DAP), a Trombose Venosa Profunda (TVP) e o Acidente Vascular Cerebral (AVC), são notoriamente perigosas devido à sua natureza silenciosa. Os sintomas, muitas vezes discretos, como sensação de peso nas pernas, inchaço e varizes, dificultam a detecção precoce, tornando essencial o acompanhamento médico regular para evitar complicações. No entanto, em Feira de Santana, a cobertura da Estratégia de Saúde da Família, principal responsável pela atenção primária, é insuficiente, deixando uma parcela considerável da população sem assistência adequada.

Para alcançar uma cobertura ideal, Feira de Santana necessitaria de 46 novas equipes de Saúde da Família e a construção de, no mínimo, 12 novas Unidades Básicas de Saúde. Essa lacuna na estrutura de saúde básica afeta diretamente a capacidade do município em prevenir e tratar doenças circulatórias, já que a atenção básica é a porta de entrada do sistema de saúde.

“A ausência de uma cobertura ampla impede a detecção precoce de doenças vasculares, o que poderia evitar complicações graves”, afirma o presidente da SBACV, Dr. Bruno Lucchesi.

A Campanha Azul Vermelho da SBACV enfatiza a importância da prevenção e do acompanhamento regular com especialistas, particularmente para indivíduos com histórico familiar de doenças vasculares. Entretanto, sem um sistema de atenção básica robusto e acessível, a população de Feira de Santana permanece vulnerável a condições que poderiam ser prevenidas com medidas simples e de baixo custo.

“Estamos falando de doenças que podem ser evitadas com um diagnóstico precoce e com orientações básicas de saúde, mas que, sem a estrutura necessária, se tornam graves e onerosas”, explica Dr. Lucchesi.

A precariedade na cobertura da atenção básica não só expõe os moradores de Feira de Santana a riscos elevados, mas também sobrecarrega as unidades de saúde de média e alta complexidade, como o Hospital Geral Clériston Andrade.

“Casos que poderiam ser facilmente resolvidos na atenção primária acabam lotando os hospitais, o que é um reflexo da falta de estrutura no atendimento básico”, afirma Karlos Figueiredo, superintendente estadual de Atenção Integral da Saúde.

Ele ainda ressalta a importância de investimentos por parte das autoridades municipais na ampliação e melhoria das unidades básicas de saúde:

“É fundamental que o município priorize o fortalecimento da atenção básica, garantindo que a prevenção, um dos pilares da saúde pública, seja acessível a toda a população.”

A situação em Feira de Santana reflete um desafio maior enfrentado em diversas regiões do país, onde a insuficiência da atenção básica limita a capacidade do sistema de saúde de atender às demandas da população. A Campanha Azul Vermelho, ao chamar a atenção para as doenças vasculares, ressalta a necessidade urgente de investimentos estruturais para que a prevenção e o tratamento dessas condições sejam eficazes e acessíveis para todos.


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