Brasil e Cuba avançam na negociação da dívida bilionária

Entre os dias 18 e 20 de setembro de 2024, técnicos dos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), realizaram um encontro com autoridades cubanas para discutir a dívida do país caribenho com o Brasil. Este foi o primeiro encontro oficial entre os dois governos voltado para a busca de soluções sobre os débitos, que totalizam aproximadamente US$ 1,1 bilhão, ou cerca de R$ 5,5 bilhões.

O embaixador do Brasil em Havana, Christian Vargas, informou que o objetivo da reunião foi estabelecer uma conciliação dos valores pendentes.

“Esta é uma etapa necessária para avançarmos na discussão sobre a retomada do fluxo de pagamentos”, explicou Vargas.

A missão técnica não chegou à fase de negociação propriamente dita, mas serviu como um passo preliminar para garantir que ambos os países tenham concordância sobre os números envolvidos.

Durante visita a Cuba em setembro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi informado pelas autoridades cubanas de que, apesar da intenção de quitar os débitos, o país enfrenta dificuldades devido às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos. Essas sanções agravaram a crise econômica cubana, uma das piores de sua história, impossibilitando o pagamento da dívida no curto prazo. O governo brasileiro e o governo cubano estão em busca de uma solução negociada para lidar com a situação financeira.

A maior parte dos recursos destinados a Cuba tem origem no BNDES, responsável pelo financiamento de projetos envolvendo empresas brasileiras no exterior, como o Porto de Mariel, localizado a 40 quilômetros de Havana. Esse projeto de infraestrutura é o exemplo mais conhecido das operações financiadas pelo banco estatal brasileiro.

Além de Cuba, o governo brasileiro, sob a liderança do presidente Lula, também buscou renegociar dívidas com outros países, incluindo a Venezuela. No entanto, as negociações com o governo de Nicolás Maduro esfriaram depois que Brasília deixou de reconhecer a legitimidade de sua reeleição, o que impactou o diálogo sobre o pagamento de débitos que somam cerca de US$ 1,5 bilhão, ou R$ 8,5 bilhões.

Com o foco agora voltado para Cuba, as autoridades brasileiras esperam que a conciliação dos valores abra caminho para que, em uma etapa posterior, os pagamentos possam ser retomados, ainda que em termos e prazos que levem em consideração as condições econômicas enfrentadas pelo país caribenho.

*Com informações da Sputnik News.


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