China participa pela primeira vez de Exercício Militar no Brasil, indicando possível expansão da parceria

Especialistas indicam que a diversificação das parcerias militares pode proporcionar ao Brasil acesso a novos equipamentos, tecnologia e oportunidades de colaboração.
Especialistas indicam que a diversificação das parcerias militares pode proporcionar ao Brasil acesso a novos equipamentos, tecnologia e oportunidades de colaboração.

Entre os dias 4 e 17 de setembro de 2024, tropas chinesas participaram pela primeira vez do exercício militar anual das Forças Armadas brasileiras, realizado na cidade de Formosa, Goiás. Este exercício, conhecido como Operação Formosa, é o maior evento militar do Planalto Central e contou com a participação de cerca de 3 mil militares das Forças Armadas do Brasil, incluindo a Marinha, o Exército e a Força Aérea Brasileira (FAB). O evento também recebeu militares de países como África do Sul, Argentina, França, Itália, México, Nigéria, Paquistão e República do Congo, além de representantes dos Estados Unidos.

A participação dos militares chineses na Operação Formosa marca um avanço significativo nas relações militares entre Brasil e China, uma vez que o país asiático já havia atuado como observador no exercício anterior, em 2023. O especialista militar Robinson Farinazzo aponta que a inclusão da China pode trazer novas perspectivas e estratégias para o Brasil, ampliando o escopo de cooperação militar com potências não ocidentais.

O professor Vagner Camilo Alves, do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), destaca que, embora a interação com o Sul Global ainda seja limitada nas Forças Armadas brasileiras, há uma crescente oportunidade para expandir parcerias. Ele observa que o Brasil, ao diversificar suas parcerias internacionais, pode beneficiar-se tanto do acesso a novos materiais bélicos quanto de uma colaboração mais estreita com países do Oriente Médio e da África. Isso também poderia fortalecer a base industrial de defesa brasileira.

Além disso, Farinazzo critica a dependência histórica do Brasil de material militar norte-americano, muitas vezes obsoleto e com restrições operacionais impostas pelos EUA. Ele enfatiza a necessidade de assegurar a funcionalidade total dos equipamentos adquiridos e a transferência de tecnologia, bem como a possibilidade de produção local desses equipamentos, o que poderia gerar empregos e estimular a indústria de defesa nacional.

O comandante do Exército Brasileiro, general Tomás Paiva, já havia manifestado anteriormente o desejo de aprofundar a cooperação com a China. Em julho, Paiva fez uma viagem oficial ao país asiático e expressou a intenção de fortalecer os laços estratégicos e expandir a comunicação e os intercâmbios entre os dois exércitos.

O envolvimento da China nos exercícios militares brasileiros reflete um movimento mais amplo em direção a uma diversificação das parcerias estratégicas do Brasil, posicionando-o como um ator autônomo e relevante no sistema internacional. Essa ampliação da colaboração pode oferecer ao Brasil a oportunidade de evitar os riscos associados a uma dependência excessiva de fornecedores ocidentais, como evidenciado pela experiência argentina durante a Guerra das Malvinas.

*Com informações da Sputnik News.


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