Eleições 2024: A perda de terreno da esquerda e o impacto da espetacularização na política brasileira

A perda de terreno da esquerda e o impacto da espetacularização na política brasileira nas Eleições 2024;

À medida que se aproximam o dia da votação do primeiro turno das eleições municipais de 2024, a dinâmica da comunicação política no Brasil apresenta uma mudança significativa. Observadores notam que os debates e as campanhas eleitorais estão cada vez mais focados em escândalos e acusações, frequentemente promovidos para gerar repercussão nas redes sociais. Segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 70% dos jovens brasileiros entre 16 e 24 anos utilizam redes sociais como sua principal fonte de informação política. Essa realidade demanda uma nova abordagem dos candidatos, que, segundo os especialistas, têm priorizado a performance em detrimento da apresentação de propostas concretas.

O Espetáculo Midiático na Política

Os analistas Guilherme Simões Reis, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio), e Paulo Henrique Cassimiro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), discutem o fenômeno da “espetacularização agressiva” da política. Cassimiro argumenta que a política se transformou em um espetáculo midiático, onde a capacidade de atrair a atenção se sobrepõe à apresentação de propostas.

“A performance central da política hoje é de chamar atenção para si a qualquer custo”, observa. Essa tendência tem sido amplificada pela ascensão de líderes populistas, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, que utilizaram as redes sociais para construir uma narrativa direta e impactante.

A Nova Geração de Candidatos

Reis complementa a análise destacando que a direita tem se apropriado com eficácia dessa nova forma de fazer política. A adoção de posturas hiperagressivas e debochadas, que geram engajamento, permite que esses candidatos se conectem com eleitores jovens. Uma pesquisa realizada pelo Datafolha em 2023 revelou que 62% dos jovens entrevistados preferem candidatos que apresentem soluções simples e diretas, o que explica o sucesso de figuras como Pablo Marçal, que emergiu em São Paulo com uma retórica distinta e impactante.

A Demonização da Política

A transformação no cenário político não ocorre de maneira isolada. O sentimento de desilusão em relação à política tradicional, exacerbado pela Operação Lava Jato e seus desdobramentos, criou um ambiente propício para a ascensão de candidatos que se apresentam como soluções milagrosas para os problemas da sociedade. Cassimiro observa que a política foi demonizada, levando a um aumento na preferência por figuras fora do establishment político.

“Hoje, o eleitorado jovem se sente atraído por discursos de renovação e soluções rápidas”, explica.

O Desafio da Esquerda

Os especialistas concordam que a falta de criatividade política da esquerda está contribuindo para sua perda de espaço nas eleições. Cassimiro destaca que, embora a esquerda tenha conseguido captar alguns discursos de identidades políticas, ela falha em apresentar uma visão convincente de futuro. Uma pesquisa de opinião conduzida pelo IBOPE em 2023 indica que 55% dos jovens não se sentem representados pelas propostas da esquerda. Reis acrescenta que a escassez de novos protagonistas no cenário político da esquerda é evidente, afirmando que “existe uma carência de lideranças para substituir Lula”.

A Luta pela Geração Jovem

O contexto atual exige que a esquerda repense suas estratégias se quiser resgatar a confiança dos eleitores mais jovens.

“Estamos vivendo uma época que não é de conservação; é de revolução, de mudança, de ruptura”, observa Cassimiro.

A esquerda, segundo os analistas, precisa inovar e se adaptar às novas realidades sociais e políticas, se não quiser se tornar irrelevante no futuro próximo. A falta de conexão com a geração mais nova, que enfrenta desafios como a precarização do trabalho e o alto custo de vida nas grandes cidades, pode resultar em um afastamento ainda maior nas próximas eleições.

Novas dinâmicas midiáticas

O cenário político brasileiro se transforma rapidamente, impulsionado por novas dinâmicas midiáticas e a busca incessante por atenção. Enquanto a direita tem se beneficiado dessa nova ordem ao adotar estratégias mais agressivas e visuais, a esquerda parece estar presa a um modelo conservador e desatualizado. Se a esquerda não encontrar formas de se reinventar e se conectar com as aspirações e desafios da nova geração, sua relevância no cenário eleitoral poderá ser severamente comprometida.

*Com informações da Sputnik Brasil.


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