Especialista em mobilidade urbana critica falhas no BRT de Feira de Santana e responsabiliza gestão do ex-prefeito José Ronaldo por retrocessos no transporte público

O sistema de transporte público BRT (Bus Rapid Transit), apresentado como uma resposta para os crescentes problemas de mobilidade urbana em Feira de Santana, não foi implementado conforme planejado e tem sido alvo de críticas de especialistas na área. O professor Allan Pimenta, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), que é engenheiro civil e urbanista, descreve o projeto como um exemplo de mau uso de recursos públicos, desvirtuado por interesses políticos e eleitorais. Em suas críticas, Pimenta afirma que o BRT, como proposto pela gestão do ex-prefeito José Ronaldo, “não existe na prática” e que as intervenções realizadas trouxeram mais prejuízos do que benefícios para a cidade.

Pimenta, que atualmente está concluindo seu doutorado em Engenharia de Transportes e Urbanismo na Austrália, ressalta que o BRT exige a implantação de faixas exclusivas para garantir sua eficiência, algo que não foi feito em Feira de Santana.

“Sem faixas exclusivas, não há como considerar o sistema um BRT. O que se vê é uma série de obras desconectadas, sem planejamento integrado, que não resolvem o problema da mobilidade e encarecem o transporte público”, aponta o especialista.

O professor critica o caráter fragmentado das intervenções urbanas realizadas durante a gestão de José Ronaldo, enfatizando que elas não tiveram como objetivo a criação de uma rede de mobilidade eficaz e sustentável. Segundo ele, a falta de um planejamento que levasse em consideração o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e a Lei de Uso e Ocupação do Solo resultou em uma série de obras que privilegiam o uso de carros particulares, em detrimento do transporte coletivo e de modais alternativos como ciclovias e áreas destinadas aos pedestres.

Projeto Eleitoral

O anúncio do BRT foi feito em 2013 pelo então prefeito José Ronaldo, que prometeu transformar o sistema de transporte público da cidade. À época, o projeto era visto como uma solução capaz de desafogar o trânsito, melhorar a qualidade de vida dos usuários e criar um ambiente mais organizado e eficiente para a circulação de pessoas e veículos. Entre as promessas estavam a construção de estações nos bairros de Pamplona, Sim e Ayrton Senna, além de uma ciclovia na Avenida Maria Quitéria, passagem subterrânea no cruzamento das avenidas Maria Quitéria e Getúlio Vargas e pavimentação em concreto armado nos principais corredores de tráfego.

Apesar dessas promessas ambiciosas, o projeto não saiu do papel de forma efetiva. Segundo Allan Pimenta, o que foi entregue à população foram obras parciais, como a construção de viadutos que, embora tenham aliviado o trânsito em certos pontos no curto prazo, logo passaram a ser insuficientes, uma vez que atraíram mais veículos para esses trechos.

“Os viadutos serviram apenas para aliviar momentaneamente o trânsito, mas agora se tornaram parte do problema, já que geraram mais fluxo e congestionamentos nos mesmos pontos”, argumenta.

Pimenta ainda afirma que o foco da gestão José Ronaldo foi a realização de obras que agradassem ao eleitorado em curto prazo, sem considerar um planejamento a longo prazo.

“Receberam cerca de R$ 100 milhões para a implementação do BRT, mas o que foi feito com esse dinheiro não beneficiou a cidade. As obras foram pensadas apenas para carros, o que é um erro grave em termos de mobilidade urbana”, disse o professor.

Impacto no Transporte Público

Outro ponto abordado por Allan Pimenta diz respeito ao impacto negativo que as obras incompletas tiveram sobre o transporte público da cidade. O especialista destaca que, além de não resolver o problema do trânsito, as intervenções encareceram o sistema para os usuários. Ele critica a falta de uma política integrada que priorize o transporte coletivo, afirmando que a ausência de investimentos adequados nesse setor tem sobrecarregado os cidadãos, que pagam mais por um serviço de qualidade inferior.

“O transporte público em Feira de Santana se tornou mais caro e menos eficiente. Ao invés de melhorar, a mobilidade urbana foi prejudicada, principalmente para aqueles que dependem do transporte coletivo diariamente”, observou.

Pimenta também destacou a comparação entre Feira de Santana e Salvador, alertando que, apesar de a cidade do interior ter uma população seis vezes menor, o trânsito em horários de pico já começa a se equiparar ao da capital baiana, algo que ele considera alarmante.

Soluções Sustentáveis e Planejamento Urbano

Para Allan Pimenta, o problema da mobilidade urbana em Feira de Santana só poderá ser resolvido com uma abordagem mais ampla e integrada, que priorize o transporte público e os modais alternativos ao automóvel particular. Ele defende que, ao invés de obras pontuais e focadas em carros, o planejamento da cidade deve ser baseado em princípios de sustentabilidade e acessibilidade.

“O desenvolvimento urbano precisa ser pensado de forma holística, com a mobilidade integrada a outras questões fundamentais, como o uso do solo, a distribuição dos serviços públicos e o incentivo ao transporte não motorizado”, afirmou.

O professor defende que a cidade adote políticas públicas voltadas para a melhoria do transporte coletivo, construção de ciclovias e calçadas adequadas para pedestres, além da implementação de faixas exclusivas para ônibus, como um dos principais fatores para garantir a eficiência do transporte público.

Ele sugere ainda que a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e da Lei de Uso e Ocupação do Solo seja feita com foco na mobilidade sustentável. Essas mudanças devem promover uma reorganização do espaço urbano, incentivando o uso de transporte coletivo e reduzindo a dependência dos automóveis. Para Pimenta, o futuro de Feira de Santana depende de ações coordenadas e voltadas para o benefício de todos os cidadãos, e não apenas para atender a interesses de curto prazo.

Principais aspectos do BRT de Feira de Santana

1. Críticas e Avaliação do Projeto

  • Crítica principal: Projeto desvirtuado por interesses políticos e eleitorais, sem foco na mobilidade urbana.
  • Especialista: Allan Pimenta, professor da UEFS, engenheiro civil e urbanista.
  • Visão geral do projeto: O BRT, na prática, “não existe”, por não possuir faixas exclusivas essenciais para seu funcionamento.
  • Retrocesso: Intervenções aumentaram o custo do transporte público e pioraram o trânsito.

2. Histórico e Contexto do Projeto

  • Anúncio: Realizado em 2013 pelo então prefeito José Ronaldo.
  • Promessas iniciais: Estações em Pamplona, Sim e Ayrton Senna; ciclovia na Avenida Maria Quitéria; passagem subterrânea no cruzamento das avenidas Maria Quitéria e Getúlio Vargas; pavimentação em concreto armado nos corredores de tráfego.
  • Recursos recebidos: Cerca de R$ 100 milhões.

3. Impactos na Mobilidade

  • Viadutos construídos: Aliviaram o trânsito inicialmente, mas tornaram-se indutores de fluxo, agravando os congestionamentos.
  • Situação atual: Feira de Santana enfrenta congestionamentos similares aos de Salvador, mesmo com uma população seis vezes menor.
  • Comparação com Salvador: Trânsito em horários de pico está se aproximando da capital baiana.

4. Propostas e Soluções

  • Planejamento urbano: Necessidade de integração entre o transporte público e modais alternativos.
  • Defesa do especialista: A mobilidade deve ser integrada ao Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e à Lei de Uso e Ocupação do Solo.
  • Proposta: Incentivo ao transporte público, pedestres e ciclistas, com políticas que priorizem esses modais em detrimento dos carros.

5. Consequências do Projeto Inacabado

  • Impacto financeiro: O sistema de transporte público encareceu para os usuários.
  • Futuro da mobilidade: Dependente de um planejamento sustentável que promova o uso de transporte coletivo e reduza a dependência de automóveis.

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