A rejeição internacional ao mandado de prisão contra Edmundo Gonzalez Urrutia ganhou destaque nesta terça-feira (02/09/2024), com declarações de condenação vindas dos Estados Unidos, União Europeia e de nove países latino-americanos. Urrutia, que foi candidato da oposição nas recentes eleições presidenciais na Venezuela, teve seu mandato de prisão solicitado por um tribunal venezuelano especializado em questões de terrorismo. O diplomata de 75 anos é acusado de “desobediência à lei”, “conspiração”, “usurpação de funções” e “sabotagem”.
Desde 30 de julho, Urrutia não é visto em público. Em contraste, a líder da oposição, Maria Corina Machado, continua realizando comícios, apesar de viver em situação de maior resguardo. Urrutia não compareceu a três convocações judiciais relacionadas ao site de oposição que o apresenta como vencedor da eleição. Em suas justificativas nas redes sociais, ele criticou a falta de “independência” do sistema judicial e a atuação do promotor que, segundo ele, tem caráter “político”.
A comunidade internacional expressou sua desaprovação em relação ao mandado de prisão. Um porta-voz da Casa Branca declarou que os Estados Unidos, junto a vários parceiros internacionais, condenam o mandado de prisão como uma tentativa de Nicolás Maduro de manter o poder através da força. O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, também repudiou o mandado e pediu às autoridades venezuelanas que respeitem a liberdade e os direitos humanos.
A rejeição foi acompanhada por uma declaração conjunta de nove países latino-americanos: Argentina, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Guatemala, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai. Esses países desqualificaram o mandado de prisão como uma tentativa de silenciar Urrutia e desconsiderar a vontade popular venezuelana.
A Venezuela, rica em reservas de petróleo, já rompeu relações diplomáticas com diversos países que não reconheceram a reeleição de Maduro. O presidente socialista, cuja vitória foi confirmada pela Suprema Corte em 22 de agosto com 52% dos votos, enfrentou críticas por não divulgar os relatórios das seções eleitorais, alegando um ataque cibernético. Muitos observadores consideram essa justificativa uma manobra para evitar a divulgação completa dos resultados.
Segundo a oposição, Gonzalez Urrutia teria obtido mais de 60% dos votos, e a repressão após a reeleição de Maduro resultou em 27 mortes, 192 feridos e cerca de 2.400 prisões, conforme fontes oficiais. Maduro, em resposta, atacou Urrutia publicamente, qualificando-o de “covarde” e pedindo sua prisão. Recentemente, os Estados Unidos anunciaram a apreensão de um avião ligado a Maduro, que foi descrito pela Venezuela como um ato de “pirataria”.
*Com informações da RFI.







Deixe um comentário