Guerra Civil na Síria se agrava em múltiplas frentes, segundo relatório da ONU

Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU alerta para o agravamento da guerra civil na Síria.
Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU alerta para o agravamento da guerra civil na Síria.

A Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU para a Síria divulgou um alerta nesta terça-feira (10/09/2024) sobre a deterioração da situação no país, que se agrava em diversas frentes devido ao aumento das tensões regionais provocadas pelo conflito em Gaza. De acordo com o relatório que será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos na próxima semana, o agravamento é caracterizado por “padrões contínuos de crimes de guerra” e preocupações com a possibilidade de um conflito regional em larga escala.

O relatório revela que, desde o início do conflito em Gaza, ocorreram ataques aéreos israelenses direcionados a autoridades iranianas e milícias apoiadas pelo Irã na Síria, resultando em vítimas civis. Adicionalmente, mais de 100 ataques foram realizados por grupos afiliados ao Irã contra bases dos Estados Unidos no leste da Síria, seguidos por contra-ataques norte-americanos.

Estima-se que mais de 150 civis tenham perdido a vida no noroeste da Síria devido a ataques do regime, que, em algumas ocasiões, utilizaram bombas de fragmentação, atingindo mulheres e crianças. O relatório indica que tais ataques “indiscriminados” podem ser classificados como crimes de guerra.

A comissão também documenta ataques aéreos russos na região de Idlib, que resultaram em vítimas civis, e uma operação das forças turcas no nordeste da Síria no inverno passado, que danificou instalações médicas e de energia, afetando os serviços essenciais para mais de 1 milhão de pessoas.

Em relação ao sul da Síria, foi conduzida uma investigação sobre um massacre ocorrido em abril na região de Daraa, onde pelo menos 10 civis foram executados por uma milícia pró-governo, com muitos dos assassinatos realizados com facas ou tiros à queima-roupa, o que pode ser considerado crime de guerra.

A especialista Hanny Megally, integrante da comissão, destacou que as forças governamentais, posicionadas próximas ao local do massacre, não conseguiram intervir para proteger os civis, evidenciando o aprofundamento da ilegalidade na Síria. Ela também observou que forças de segurança e facções usam violência e ameaças para extorquir dinheiro de civis, que enfrentam risco de prisão, tortura, estupro, morte sob custódia ou desaparecimento.

Adicionalmente, estima-se que as Forças Democráticas Sírias mantenham cerca de 30 mil crianças nos campos de Al Hawl e Al Rawj em condições precárias, devido à suposta filiação de seus pais ao autoproclamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil). A membro da comissão, Lynn Welchman, ressaltou a situação preocupante de mulheres, meninas e meninos yazidis que sobreviveram ao genocídio yazidi e a outros crimes do Isil, e que permanecem presos há mais de cinco anos com seus perseguidores.

Atualmente, a Síria enfrenta uma crise humanitária significativa, com cerca de 13 milhões de pessoas, o que equivale à metade da população, enfrentando insegurança alimentar. Dentre essas pessoas, aproximadamente 650 mil crianças estão sofrendo de desnutrição aguda.

*Com informações da ONU News.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.