Justiça Eleitoral suspende parcialmente divulgação de pesquisa do Instituto Economic em Feira de Santana

Decisão da 156ª Zona Eleitoral restringe divulgação de perguntas em pesquisa eleitoral após acusações de falhas metodológicas e parcialidade; campanhas de Zé Neto e José Ronaldo rebatem-se mutuamente.
Decisão da 156ª Zona Eleitoral restringe divulgação de perguntas em pesquisa eleitoral após acusações de falhas metodológicas e parcialidade; campanhas de Zé Neto e José Ronaldo rebatem-se mutuamente.

A 156ª Zona Eleitoral de Feira de Santana determinou na  terça-feira (24/09/2024) a suspensão parcial da divulgação da pesquisa realizada pelo Instituto Economic, registrada sob o número BA-09960/2024. A decisão atendeu a um pedido de liminar apresentado pela coligação “Pra Fazer o Futuro Acontecer”, liderada pelo candidato a prefeito Zé Neto (PT), e foi proferida pela juíza eleitoral Marcela de Azevedo Rios Coutinho. A medida foi motivada por alegações de irregularidades na metodologia da pesquisa, que levantaram questionamentos sobre a sua validade e isenção.

Coligação alega falhas metodológicas

A impugnação da pesquisa foi baseada em uma série de falhas metodológicas apontadas pelos advogados Alfredo Juca de Albuquerque Pimentel Neto e Janjorio Vasconcelos Simoes Pinho, representantes da coligação de Zé Neto. Eles argumentaram que a pesquisa, realizada pela empresa Economic Cat Administração Pública, Empresarial e Marketing Ltda, apresentava inconsistências que comprometiam sua confiabilidade.

Entre as principais falhas citadas pela coligação estavam a ausência de informações claras sobre a quantidade de entrevistados em cada região da cidade, bem como a falta de perguntas que considerassem o perfil econômico dos entrevistados. Também foi contestada a formulação de perguntas que excluíam candidatos em simulações de segundo turno, o que, segundo os advogados, poderia induzir os eleitores a uma percepção equivocada.

Pedido de cópias do sistema de verificação

Além das falhas metodológicas, a coligação solicitou à Justiça que a empresa fornecesse cópias do sistema de controle e verificação dos dados utilizados na pesquisa. Esse pedido visava garantir maior transparência no processo de coleta de informações, que, segundo os impugnantes, poderia estar comprometido pela ausência de critérios mais claros na formulação e execução das perguntas.

Decisão judicial e multa em caso de descumprimento

Após a análise das alegações, a juíza Marcela de Azevedo Rios Coutinho decidiu suspender a divulgação de duas perguntas específicas da pesquisa. A primeira questão tratava da intenção de voto em um eventual segundo turno entre Zé Neto e José Ronaldo (União Brasil), enquanto a segunda abordava a frequência com que os entrevistados ouviam determinadas emissoras de rádio. A juíza considerou que essas perguntas poderiam influenciar indevidamente o eleitorado e determinou sua exclusão da pesquisa.

A decisão também estabeleceu uma multa diária de R$ 5.000,00 em caso de descumprimento da ordem judicial, ressaltando a necessidade de interromper imediatamente a divulgação das questões consideradas irregulares. No entanto, a magistrada permitiu a divulgação dos demais dados da pesquisa, desde que os itens suspensos não fossem veiculados.

Polêmica sobre a credibilidade da pesquisa

A decisão judicial reacendeu o debate sobre a credibilidade da pesquisa do Instituto Economic. Antes mesmo da liminar, o deputado estadual Robinson Almeida (PT) já havia criticado o levantamento, apontando para a relação entre o candidato José Ronaldo e os responsáveis pela contratação e execução do estudo. Segundo Robinson Almeida, a pesquisa foi encomendada pelo jornalista Joilton Freitas, ex-candidato a vereador pelo PPS e aliado político de José Ronaldo. Além disso, o proprietário do Instituto Economic, Amarildo Gomes, teria vínculos diretos com o candidato do União Brasil, o que colocaria em dúvida a imparcialidade do levantamento.

“Os fatos sugerem que a credibilidade da pesquisa está em xeque, uma vez que tanto quem contratou quanto quem realizou o estudo têm vínculos com o candidato interessado na disputa”, afirmou o deputado Robinson Almeida. Ele também destacou que essa relação poderia influenciar o resultado da pesquisa, beneficiando José Ronaldo. O parlamentar pediu que o eleitorado visse o estudo com ceticismo, alegando que a integridade dos dados estava comprometida.

Defesa da campanha de José Ronaldo

Diante das acusações, a campanha de José Ronaldo se pronunciou, afirmando que a decisão da Justiça Eleitoral havia sido distorcida pela coligação de Zé Neto. Segundo a assessoria do candidato do União Brasil, a suspensão se limitava a dois itens específicos do questionário, e não abrangia toda a pesquisa. A equipe de comunicação de José Ronaldo enfatizou que a liminar proibiu apenas a divulgação de perguntas sobre o segundo turno e a audiência de rádio, permitindo a veiculação dos demais resultados.

A campanha também acusou Zé Neto de utilizar a decisão judicial de forma desonesta para desacreditar a pesquisa, que apontava vitória de José Ronaldo no primeiro turno.

“A campanha de Zé Neto está tentando desqualificar o levantamento, quando, na verdade, a Justiça só vetou dois itens do estudo”, afirmou a equipe de José Ronaldo em nota.

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