MPF pede condenação de 37 ex-agentes da Ditadura Militar pela execução de Carlos Marighella

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma nova ação civil pública visando a responsabilização de 37 ex-agentes da ditadura militar pela execução de Carlos Marighella, um proeminente opositor ao regime militar brasileiro, ocorrida em 1969. A ação, protocolada na sexta-feira (06/09/2024), busca impor diversas penalidades aos acusados, incluindo a perda de aposentadorias, a restituição de despesas com indenizações pagas aos familiares da vítima e o pagamento de compensações financeiras por danos morais coletivos.

O MPF também exige que, no caso de réus já falecidos, seus herdeiros assumam as responsabilidades financeiras. A nova ação segue duas anteriores apresentadas pelo MPF em março e agosto, que tratam de prisão ilegal, tortura, morte e desaparecimento forçado de outros 34 militantes políticos perseguidos durante a ditadura. Além disso, parte dos envolvidos na morte de Marighella já enfrentava denúncias de homicídio qualificado e falsidade ideológica desde maio.

A ação recente visa promover a preservação da memória histórica e o esclarecimento dos eventos ocorridos durante o período da ditadura. O MPF solicita que o estado de São Paulo e a União, também réus no processo, realizem um ato público de desagravo à memória de Marighella e incluam informações sobre o caso em espaços de memória dedicados ao período militar.

Carlos Marighella, que liderava a Aliança Libertadora Nacional (ALN), uma organização de resistência armada, foi morto em uma operação do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) em 4 de novembro de 1969. Durante a operação, Marighella foi surpreendido desarmado e executado, apesar de a detenção ser uma alternativa viável.

A lista de réus inclui o ex-delegado Sérgio Paranhos Fleury, responsável pela operação que resultou na morte de Marighella, além de outros ex-agentes do Dops e do Instituto Médico Legal (IML), como Abeylard de Queiroz Orsini. Orsini foi responsável por um laudo necroscópico que omitiu as circunstâncias reais da morte de Marighella para corroborar a versão oficial de resistência à prisão.

A procuradora da República Ana Letícia Absy, responsável pela ação, destaca que a Lei da Anistia, aprovada no contexto da ditadura, foi criada para beneficiar os agentes estatais e impede a punição e o ressarcimento pelos crimes cometidos. Segundo Absy, a norma continua a atingir seu objetivo de evitar a responsabilização dos responsáveis pelos abusos do período.

*Com informações da Agência Brasil.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading