Um relatório divulgado pelas Nações Unidas apontou que, desde o golpe militar ocorrido em Mianmar, em 1º de fevereiro de 2021, pelo menos 5.350 civis foram mortos e mais de 3,3 milhões de pessoas foram deslocadas internamente. O documento, apresentado em Genebra, evidencia o agravamento da crise humanitária no país e alerta para o fato de que mais da metade da população birmanesa vive abaixo da linha da pobreza, consequência direta da violência e instabilidade causadas pelo regime militar.
A publicação do Escritório de Direitos Humanos da ONU apresenta uma lista de violações graves cometidas no país, ressaltando a crescente ausência de Estado de direito e o colapso das instituições democráticas. Além da violência física e das mortes, o relatório destaca o impacto na saúde mental da população e o retrocesso nos direitos econômicos e sociais, que contribuem para o declínio econômico de Mianmar.
As forças armadas têm conduzido operações de repressão, incluindo detenções arbitrárias e obrigatoriedade de serviço militar, o que leva muitos jovens a tentarem fugir do país. Até o momento, cerca de 27,4 mil pessoas foram presas desde o golpe, com o número de detenções aumentando após a implementação do recrutamento militar mandatório em fevereiro de 2023.
O relatório também expõe a situação de crianças e mulheres, apontando a morte de pelo menos 1.853 pessoas sob custódia militar, incluindo 88 crianças e 125 mulheres. As mortes ocorreram principalmente após abusos físicos durante interrogatórios, maus-tratos na detenção e a falta de acesso a cuidados de saúde adequados. Liz Throssell, porta-voz do alto comissariado da ONU para os Direitos Humanos, afirmou que a tortura e os maus-tratos são generalizados no país, reforçando as preocupações com o tratamento desumano imposto pelo regime militar.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que encaminhe a situação de Mianmar ao Tribunal Penal Internacional. Ele também reiterou o apelo pelo fim imediato da violência e a libertação de todos os detidos arbitrariamente. Relatos de tortura incluem métodos como suspensão no teto sem comida ou água, espancamentos com varas de ferro, e o uso de cobras e insetos para amedrontar prisioneiros. Há registros de eletrocussão, queimaduras, mutilações e outras práticas degradantes, incluindo violência sexual.
*Com informações da ONU News.
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