A poluição do ar em Brasília apresentou um aumento significativo de 350 vezes em razão de um incêndio que consumiu 1,4 mil hectares do Parque Nacional de Brasília. A situação alarmante foi relatada por moradores da região, como Edelweiss Ilgenfritz, de 52 anos, que, asmática, enfrentou dificuldades para respirar e precisou faltar ao trabalho. A concentração de partículas finas no ar da capital do país, que antes do incêndio registrava 4 microgramas por metro cúbico (µg/m³), saltou para 1.300 µg/m³ durante a madrugada de terça-feira (17/09/2024).
O aumento da poluição do ar ocorreu em um contexto em que o monitoramento em tempo real na área central de Brasília é deficiente. As informações sobre a qualidade do ar foram obtidas a partir da plataforma PurpleAir, que possui um equipamento instalado na Asa Norte, próximo ao local do incêndio. A qualidade do ar, segundo o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), deveria ser monitorada com padrões que estabelecem um limite máximo de 60 µg/m³ para partículas finas com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros, medido em uma média de 24 horas. No entanto, esse padrão já é considerado elevado em comparação com outros países.
A resolução aprovada pelo Conama em julho de 2024 estabelece a redução gradativa desse limite para 50 µg/m³ em 2025 e 25 µg/m³ até 2044. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um limite diário de 15 µg/m³ para partículas do mesmo tipo. No entanto, a estação de monitoramento do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), situada na Rodoviária do Plano Piloto, opera há mais de 20 anos e fornece dados apenas a cada seis dias. De acordo com o Ibram, os dados referentes aos dias críticos de 17 e 18 de setembro só devem ser divulgados na próxima segunda-feira (23).
A falta de dados em tempo real levanta preocupações entre os órgãos ambientais. O presidente do Ibram, Rôney Nemer, expressou ceticismo quanto à confiabilidade dos dados obtidos por equipamentos privados como o PurpleAir. Em contrapartida, Evangelina Araújo, diretora do Instituto Ar, defendeu que esses equipamentos são confiáveis e podem oferecer uma visão aproximada da realidade, principalmente na ausência de monitoramento oficial.
Um estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) aponta que Brasília, juntamente com Goiânia e Manaus, se destaca pela defasagem na monitoramento da qualidade do ar. A falta de dados compromete a capacidade dos órgãos ambientais de informar a população sobre a qualidade do ar e de identificar episódios críticos de poluição. Embora o governo do Distrito Federal tenha autorizado a compra de novos equipamentos para monitoramento, ainda não há uma data prevista para sua implementação.
Além disso, a ausência de planos de ação para enfrentar episódios críticos de poluição é uma preocupação expressa por especialistas. O Instituto Alana identificou que apenas São Paulo possui um plano de ação, datado de 1978, enquanto 26 das 27 unidades da federação não têm qualquer estratégia definida. O impacto da poluição do ar sobre a saúde da população é um fator crítico, com recomendações de medidas de proteção, como permanecer em ambientes fechados, utilizar purificadores de ar e evitar exercícios físicos ao ar livre.
A iniciativa Médicos Pelo Ar Limpo destacou a importância de alertar a população e adotar medidas que visem reduzir a emissão de poluentes, que não se originam apenas de queimadas, mas também do trânsito e da indústria. A situação em Brasília requer atenção e ação imediata para proteger a saúde pública diante da crescente poluição do ar.
*Com informações da Agência Brasil.
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