Na 16ª Cúpula do BRICS, realizada em Kazan, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, abordou uma série de questões globais, incluindo mudanças climáticas e a necessidade de um mundo multipolar. Durante seu discurso, proferido por videoconferência, o presidente agradeceu aos membros do BRICS pelo apoio recebido durante a presidência brasileira no Grupo dos 20 (G20) e destacou a importância de expandir a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza para incluir um maior número de países.
Lula destacou que as políticas sociais implementadas pelos países do BRICS podem servir como exemplo para o restante do mundo. Ele declarou que o bloco é um ator crucial na discussão sobre mudanças climáticas, ressaltando que as dificuldades enfrentadas atualmente são consequência das ações dos países desenvolvidos. O presidente enfatizou a necessidade de aumentar o compromisso financeiro internacional, propondo que os US$ 100 bilhões anuais prometidos não foram cumpridos e que é necessário estabelecer mecanismos de monitoramento para garantir o cumprimento das promessas.
No que diz respeito à presidência brasileira no BRICS em 2025, Lula afirmou que o Brasil seguirá uma linha de luta por um mundo multipolar e por relações mais justas entre as nações. O lema da presidência será “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”. Ele ressaltou que o plano abordará questões de acesso a medicamentos e desenvolvimento de inteligência artificial, além de reforçar as capacidades tecnológicas dos governos.
O presidente também observou que os países do BRICS representam uma significativa fatia da economia global, destacando que juntos somam mais de 3,6 bilhões de pessoas e 36% do PIB global por paridade de poder de compra. Ele afirmou que, apesar da crescente interdependência econômica, os fluxos financeiros ainda favorecem as nações desenvolvidas.
Em relação ao Novo Banco de Desenvolvimento, Lula mencionou que a instituição tem contribuído significativamente para projetos dos países membros. Ele caracterizou a situação atual, na qual os países em desenvolvimento financiam o mundo desenvolvido, como um “Plano Marshall às avessas”, referindo-se ao plano criado pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial.
A questão da desdolarização dos pagamentos internacionais foi um ponto central do discurso de Lula. Ele afirmou que a criação de um sistema de pagamento alternativo ao dólar é uma necessidade urgente que não pode mais ser adiada, sublinhando que tal iniciativa deve refletir a ordem multipolar desejada pelos países do BRICS.
Lula apelou à unidade global em um momento de crescente polarização, ressaltando que os países mais vulneráveis enfrentam problemas graves de saúde, economia e segurança alimentar. Ele concluiu enfatizando a importância de colaborar em busca de objetivos comuns, especialmente diante de crises globais.
A 16ª Cúpula do BRICS ocorre em um contexto de mudanças significativas na geopolítica mundial, com a presença de líderes de 36 países e seis organizações internacionais. Este evento marca o encerramento da presidência russa no BRICS, que tem como lema o fortalecimento do multilateralismo para um desenvolvimento equitativo e seguro.
*Com informações da Sputnik News.








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