Rua Nova: História, música e futebol marcam bairro de Feira de Santana

O bairro Rua Nova, localizado na região noroeste de Feira de Santana, é marcado por uma história rica e diversidade cultural, integrando personagens e eventos que contribuem para o desenvolvimento social e cultural do município. A trajetória do bairro remonta à antiga “Fazenda de Dona Pomba”, de propriedade de Ernestina Carneiro Ferreira da Silva, que teve papel central na fundação e crescimento da localidade. Com a expansão urbana nos anos 1950, a fazenda deu lugar a uma comunidade em crescimento, que rapidamente se consolidou como bairro, sendo conhecida por sua música, futebol e tradições culturais.

Dona Pomba, figura de destaque na história local, cedia terrenos mediante aforamento ou de forma gratuita, contribuindo para a formação do bairro. Após seu falecimento em 1972, disputas judiciais surgiram em torno da posse das terras, mas a comunidade já havia se desenvolvido significativamente. A instalação de serviços básicos, como abastecimento de água e energia elétrica na década de 1960, impulsionou ainda mais a expansão demográfica. Atualmente, Rua Nova é uma das áreas mais populosas de Feira de Santana, com infraestrutura composta por 25 ruas pavimentadas, escolas, comércio diversificado, posto de saúde, base policial e transporte público.

A cultura do bairro é marcada pela musicalidade e celebrações populares, como a Micareta de Feira de Santana, onde a escola de samba “Escravos do Oriente”, fundada por Mamãe Socorro, se destacou em diversas edições do concurso organizado pela Prefeitura. Outras agremiações surgiram na esteira desse movimento, como “Unidos de Padre Ovídio” e “Império Feirense”, trazendo para o bairro uma tradição de samba e folclore. Entre as manifestações culturais, destacam-se também os afoxés, como “Filhos da África” e “Zimbabuê”, e o grupo “Pomba de Malê”, criado por Nilton Rasta em homenagem a Dona Pomba.

No campo musical, o reggae ganhou notoriedade com Jorge de Angélica, músico e ativista que contribuiu para popularizar o ritmo jamaicano na Rua Nova e Feira de Santana. Com composições como “Sopa de Papelão” e “Bahia Negra”, Jorge criou o projeto social “Mão Angelical”, oferecendo cursos artísticos para a juventude local. Fundador da Banda Gana, pioneira no reggae local, ele ajudou a consolidar a Rua Nova como um centro cultural de referência, influenciando artistas como Dionorina e Nilton Rasta. Jorge de Angélica faleceu em 30 de outubro de 2023, sendo decretados três dias de luto oficial na cidade.

No futebol, a trajetória do bairro se destaca pela atuação de personalidades como Paulo Brasileiro e Edmilson Amorim, conhecido como Michelinho. O campo Beira Riacho, agora um estádio, serviu de palco para competições locais e foi o berço do Flamengo, equipe de futebol feminino que se destacou em campeonatos baianos e nacionais. O time revelou atletas para a seleção brasileira, entre elas Sissi, reconhecida internacionalmente como uma das maiores jogadoras da história do futebol feminino.

A história do bairro é também permeada por figuras como Helena do Bode, uma influente ialorixá, cujo terreiro era frequentado por políticos e personalidades de Feira de Santana. Helena, com sua presença marcante, deixou um legado de respeito e influência religiosa. A primeira rua do bairro, posteriormente nomeada Augusto dos Anjos, foi aberta com a colaboração de Dona Pomba, facilitando o tráfego das boiadas que seguiam em direção ao centro da cidade.

O bairro possui ainda uma relação histórica com a política local. Moradores expressam apreço pelo ex-prefeito Colbert Martins da Silva, lembrado por ter realizado melhorias significativas na infraestrutura urbana, incluindo a pavimentação de ruas e obras de urbanização. Nilton Rasta, músico e artesão, sintetiza o sentimento de pertencimento dos residentes, enfatizando o papel da Rua Nova como um lugar de identidade cultural e memória coletiva.


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