A 10ª Cúpula de Presidentes dos Parlamentos do G20 (P20) reuniu, no Congresso Nacional, representantes de 14 países e dois organismos internacionais para discutir os desafios globais em segurança alimentar, combate à pobreza e desigualdade. No primeiro dia do encontro, nesta quinta-feira (07/11/2024), os discursos foram marcados por preocupações com os impactos das mudanças climáticas, conflitos internacionais e as consequências da pandemia, que agravaram a vulnerabilidade de milhões de pessoas em várias regiões do planeta.
O presidente do Senado brasileiro, Rodrigo Pacheco, iniciou a sessão destacando a gravidade do aumento da fome no mundo. Segundo ele, dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que, em 2023, uma em cada cinco pessoas em 59 países enfrenta insegurança alimentar, colocando 281 milhões de indivíduos em risco. Pacheco afirmou que essa realidade resulta de uma combinação de conflitos, crises econômicas e mudanças climáticas extremas, aliada à ausência de políticas públicas eficazes. Ele defendeu que os parlamentos têm papel crucial na promoção de justiça social e econômica por meio de políticas inclusivas e sustentáveis.
A presidente do Parlamento da Indonésia, Puan Maharani, foi a primeira representante estrangeira a discursar. Maharani alertou sobre os efeitos da crise climática, das guerras e da pandemia, fatores que, segundo ela, aumentaram a insegurança alimentar e energética, especialmente para as 700 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza. Maharani criticou a disparidade entre o gasto mundial com armamentos, estimado em US$ 2,4 trilhões, e o montante investido em assistência social, que representa menos de 10% desse valor.
Fabiana Martín, do Parlamento do Mercosul, e Blanca Margarita de Duarte, do ParlAmericas, enfatizaram a necessidade de ações concretas para o combate à fome e à pobreza. Blanca ressaltou que os países do G20, responsáveis pela produção de 80% dos alimentos do mundo, possuem grande capacidade política para enfrentar a fome. Para ela, é inaceitável que a fome persista em regiões onde a produção de alimentos é expressiva. Salomon Nguema Owono, presidente da Câmara Baixa da Guiné Equatorial, associou o aumento da fome às mudanças climáticas, desigualdades e conflitos armados. Annelie Lotriet, vice-presidente da Câmara Baixa da África do Sul, pediu mais investimentos em infraestrutura para facilitar o comércio de grãos, sugerindo colaboração entre o G20 e a comunidade internacional.
A questão do conflito Israel-Palestina foi levantada por Numan Kurtulmus, presidente do Parlamento da Turquia, que associou os impactos humanitários às instabilidades internacionais. Kurtulmus pediu a exclusão de Israel das Nações Unidas, argumentando que a ineficácia das resoluções da ONU tem agravado a situação em Gaza e em outras regiões afetadas por conflitos. O parlamentar argentino Jorge Santiago Pauli defendeu o direito de Israel à autodefesa e afirmou que o livre mercado é fundamental para combater a pobreza. Lindsay Hoyle, presidente da Câmara Baixa do Reino Unido, defendeu o reconhecimento da Palestina como Estado para avançar a paz e condenou a “ocupação ilegal” da Ucrânia, considerando-a prejudicial para os esforços globais de redução da pobreza.
O vice-presidente do Senado francês, Loic Hervé, criticou a guerra na Ucrânia, considerando que ela comprometeu a segurança alimentar mundial e ampliou a crise da fome. Hervé sugeriu soluções que possibilitem o aumento das áreas agrícolas, apontando que a França e a União Europeia mantêm a segurança alimentar como prioridade. Deng Xiuxin, do parlamento chinês, defendeu a erradicação da pobreza por meio de investimentos em agricultura e saúde, propondo a redução de barreiras tecnológicas e a adesão ao multilateralismo como caminho para o desenvolvimento sustentável.
Representantes do México, Alejandro Ismael Hinojosa e Julieta Riquelme, mencionaram os programas sociais do país, responsáveis por atingir milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade. Shri Harivansh, vice-presidente do Senado indiano, destacou os avanços da Índia no combate à fome, mencionando o apoio a mais de 200 milhões de famílias em diversas comunidades no país.
*Com informações da Agência Senado.











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