Em audiência pública realizada na Comissão de Educação (CE) do Senado, na segunda-feira (18/11/2024), especialistas abordaram as implicações do uso de celulares nas escolas e defenderam a restrição do uso desses dispositivos no ambiente escolar. Esta foi a segunda audiência sobre o tema, com a primeira ocorrendo na terça-feira (12). Durante os debates, foram destacadas as dificuldades de encontrar soluções imediatas para os impactos da tecnologia digital nas práticas educacionais. A audiência foi conduzida pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), autor do requerimento para a discussão (REQ 99/2024), que enfatizou a urgência do tema, considerando os riscos do uso indevido de celulares entre crianças e adolescentes.
O senador Girão destacou que o debate sobre o uso de celulares transcende as questões ideológicas e deve ser abordado com seriedade. Ele apontou que o uso excessivo dos aparelhos tem isolado crianças e adolescentes, que se envolvem em redes sociais e apostas online, prejudicando sua interação social. Para o senador, a questão é uma preocupação não apenas das famílias, mas também do governo e das instituições educacionais.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que o debate sobre a restrição do uso dos celulares nas escolas tem gerado discussões em diversos níveis de governo. Ela destacou a importância de envolver as famílias no processo de tomada de decisão. Damares salientou que as escolas devem ser responsáveis por definir o uso dos celulares dentro de suas diretrizes pedagógicas, mas sem desconsiderar o papel dos pais.
No âmbito da educação, Anita Gea Martinez Stefani, diretora de Apoio à Gestão Educacional do Ministério da Educação (MEC), mencionou que o debate sobre o uso de celulares vai além das fronteiras do Brasil, com diversos países adotando restrições mais rígidas. Stefani afirmou que, embora a proibição do uso de celulares possa não ser uma solução completa, ela é necessária para preservar o ambiente escolar. Ela defendeu que as tecnologias podem ser benéficas para a educação, desde que utilizadas de forma mediada e com objetivos pedagógicos claros.
O psicólogo Cristiano Nabuco, especializado em dependências tecnológicas, explicou que o Brasil está entre os países com maior índice de uso de dispositivos digitais, o que tem causado uma série de problemas de saúde, como sedentarismo, distúrbios de sono e vícios em redes sociais. Nabuco apoiou a restrição do uso de celulares nas escolas como forma de minimizar os impactos negativos sobre o bem-estar físico e psicológico dos estudantes.
A pedagoga Débora Camargo, do Colégio Mackenzie de Brasília, ressaltou que a questão do uso de celulares nas escolas não é simples e envolve uma série de fatores, como a saúde pública e a qualidade do ensino. Ela defendeu a participação da sociedade civil nas discussões e a necessidade de as escolas se prepararem para o uso pedagógico das tecnologias, equilibrando a restrição com a utilização responsável.
O professor João Malheiro, doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, criticou a ideia de uma legislação para proibir o uso de celulares, argumentando que outras restrições, como a proibição de brinquedos e roupas inadequadas, já são amplamente aceitas nas escolas. Malheiro sugeriu que a responsabilidade pela gestão do uso de celulares nas escolas deveria ser atribuída aos diretores das instituições, sem a intervenção direta do governo.
Em um exemplo prático, a diretora da Escola de Valores Humanos Sathya Sai, Camila Craveiro, relatou a experiência de sua escola ao implementar uma campanha para que os alunos deixassem os celulares em uma sala antes da aula. Segundo ela, a medida resultou em mudanças positivas no comportamento dos alunos, com aumento na interação social, prática de esportes e até melhoria nas notas.
A audiência pública foi realizada de forma interativa, permitindo a participação popular por meio do portal e-Cidadania. Algumas perguntas destacadas por internautas incluíram questionamentos sobre o uso pedagógico dos celulares nas escolas, e preocupações sobre os impactos da restrição nas práticas educacionais.
*Com informações da Agência Senado.









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