Debate sobre a Lei Maria da Penha na Comissão de Direitos Humanos do Senado aborda denúncias falsas e violência de gênero

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado realizou, nesta segunda-feira (16/12/2024), uma audiência pública que debateu a aplicação da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006). O encontro abordou controvérsias relacionadas a denúncias falsas contra homens e a persistência de elevados índices de violência contra as mulheres. Entre os temas discutidos, destacaram-se propostas para o aperfeiçoamento da legislação e o aumento das penas para denunciação caluniosa.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE), que propôs a audiência por meio do requerimento 34/2024, mencionou a elevada quantidade de medidas protetivas deferidas e levantou a possibilidade de relatos falsos utilizados para prejudicar homens em contextos de disputa patrimonial e guarda de filhos. Girão ressaltou a necessidade de ajustes na legislação para evitar injustiças sem comprometer a proteção às mulheres.

O senador Paulo Paim (PT-RS), presidente da CDH, enfatizou que a Lei Maria da Penha representa um marco na garantia de direitos, mas reconheceu a existência de controvérsias. Paim destacou que o Brasil registrou 1.463 feminicídios em 2023, o maior número desde 2015, conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, reforçando a necessidade de medidas protetivas e de combate à violência de gênero.

Participantes como Maria da Penha Maia Fernandes, que dá nome à legislação, defenderam a aplicação rigorosa da norma e a ampliação de políticas públicas para informar as mulheres sobre seus direitos. A presidente da Associação de Direito de Família e das Sucessões (Adfas Nacional), Regina Beatriz Tavares da Silva, criticou a concessão de medidas protetivas baseadas apenas no testemunho da vítima, sugerindo maior rigor na exigência de provas.

Advogados e especialistas apontaram casos de abuso da legislação, como o uso em contextos de vingança ou disputas judiciais. A advogada Carolina Siebra mencionou a deturpação da norma, enquanto a psicóloga Neyliane Onofre destacou os efeitos psicológicos da violência doméstica nos membros da família, defendendo a criação de políticas públicas voltadas para crianças e adolescentes.

Entre as críticas, o conceito de feminicídio foi questionado por alguns participantes, como Alexandre Paiva, que relatou sua experiência como vítima de falsas denúncias. Em resposta, a defensora pública Rafaela Mitre reafirmou a importância da legislação, argumentando que os feminicídios têm raízes em questões de gênero e ocorrem, em sua maioria, dentro do ambiente doméstico.

A audiência também contou com manifestações de senadores, como Damares Alves (Republicanos-DF) e Leila Barros (PDT-DF). Ambas defenderam a importância da Lei Maria da Penha, ressaltando que eventuais casos de abuso não justificam retrocessos na proteção às mulheres. Leila Barros lembrou que o Código Penal já prevê penas para denunciação caluniosa, enquanto Damares Alves destacou a importância de construir uma cultura de paz e diálogo.

Ao final, Paulo Paim reafirmou o papel da Lei Maria da Penha como instrumento de proteção à parte mais vulnerável nas situações de violência doméstica, enquanto Eduardo Girão defendeu a continuidade do debate para assegurar maior justiça e equilíbrio na aplicação da legislação.

*Com informações da Agência Senado.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading