O Acampamento Terra Livre (ATL) 2024, realizado na Assembleia Legislativa da Bahia, reuniu lideranças indígenas, representantes do governo estadual e membros de organizações sociais para debater os direitos dos povos originários. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, acompanhado de sua comitiva e do secretário da Justiça e Direitos Humanos (SJDH), Felipe Freitas, participou das atividades promovidas pelo Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba). O evento é considerado a principal assembleia indígena do estado, oferecendo espaço para diálogo e reivindicação dos direitos dessas comunidades, além de celebrar a diversidade cultural e as tradições indígenas.
Nesta edição, que tem como tema “O Nosso Marco é Ancestral”, mais de 1.500 representantes de 32 etnias estão presentes, engajados em palestras, oficinas e debates que abordam questões como o Marco Temporal, segurança pública, políticas de gênero e sexualidade, e preservação ambiental. O governador Jerônimo Rodrigues, o primeiro governante indígena do Brasil, participou da cerimônia de abertura e visitou os espaços do evento, incluindo a feira de artesanato indígena. Em seu discurso, Rodrigues destacou a importância do território para a vida das comunidades indígenas e reafirmou o compromisso do governo estadual com o diálogo e a implementação de políticas públicas.
“O nosso trabalho é conjunto, e não vamos cruzar os braços. Vamos continuar desenvolvendo políticas públicas que atendam às pautas de vocês, de modo pontual e resolutivo”, afirmou o governador. Durante o evento, Rodrigues mencionou sua origem indígena e sua gratidão pela cultura ancestral que representa, reforçando que seu compromisso vai além de palavras, evidenciando seu empenho em apoiar as demandas das comunidades.
O coordenador-geral do Mupoiba, Agnaldo Pataxó Hã-Hã-Hãe, saudou a presença do governador e destacou a relevância de seu comparecimento no ATL. “Direito não se negocia. Aqui é espaço de diálogo, e a presença de Jerônimo é importante porque simboliza o compromisso do governo com os povos indígenas”, declarou. A programação do ATL seguiu com atividades focadas na juventude indígena, mulheres indígenas e educação, com destaque para uma mesa sobre a educação indígena na Bahia, que ocorreu na manhã desta quarta-feira.
Outro momento importante foi a participação da vice-coordenadora geral do Mupoiba, Patrícia Pankararé, que abordou a ciência tradicional indígena, afirmando que a sabedoria de seu povo é uma ciência viva e prática. Em sua fala, enfatizou a importância da ancestralidade para os povos indígenas e entoou um canto em homenagem à resistência indígena.
A SJDH, por meio de sua Caravana de Direitos Humanos, oferece serviços essenciais ao longo do evento, como emissão de documentos e orientações sobre direitos. Essa ação, que se estenderá até o final do ATL, busca assegurar direitos de cidadania aos participantes. Segundo Felipe Freitas, o evento representa uma oportunidade de fortalecer o diálogo entre o governo estadual e as comunidades indígenas, promovendo o atendimento de suas demandas e o respeito à diversidade cultural. Uma reunião entre Freitas e os representantes do Mupoiba está agendada para o dia 7, com o objetivo de discutir a continuidade das ações de apoio e as políticas públicas para os povos originários.










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