O Governo do Estado marcou presença na abertura do 7º Acampamento Terra Livre (ATL), realizada na área verde da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), em Salvador, nesta segunda-feira (03/11/2025). O evento, promovido pelo Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba), conta com apoio institucional do governo e ocorre até quinta-feira (6), reunindo representantes dos 33 povos originários do estado.
Com o tema “Clima e território: dois direitos, uma luta”, o ATL é um espaço de articulação, resistência e espiritualidade, segundo os coordenadores gerais do Mupoiba, Patrícia Krinsi e Agnaldo Pataxó Hã Hã Hãe. A mesa de abertura reuniu representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de parceiros indigenistas e lideranças de todo o estado.
Políticas públicas e segurança alimentar
Durante a cerimônia, o coordenador-geral do programa Bahia Sem Fome, Tiago Pereira, destacou que o governo tem buscado fortalecer políticas de agricultura familiar, combate à fome e segurança alimentar voltadas aos povos indígenas.
“Os povos originários são públicos prioritários do Bahia Sem Fome”, afirmou Pereira, ressaltando o compromisso direto do governador Jerônimo Rodrigues com as comunidades tradicionais.
O programa foi citado como exemplo de política pública integrada, que alia soberania alimentar e inclusão social. Pereira enfatizou que combater a fome exige mais do que distribuição de alimentos — requer demarcação de terras, reordenamento fundiário e reforma agrária, condições essenciais para garantir produção sustentável e autonomia comunitária.
Alimentação e protagonismo indígena
Por volta das 11h30, o aroma de comida caseira já tomava conta do espaço da cozinha comunitária montada para atender os 1,8 mil participantes do ATL. O equipamento, gerido por uma organização indígena com apoio do Bahia Sem Fome, serve três refeições diárias durante o evento: café da manhã, almoço e jantar.
As anciãs Helena Isabel (Atikun), Beatriz Carvalho (Tuxá) e Maria da Conceição (Pankararu) foram algumas das primeiras a chegar à fila do almoço. Vindas de Chorrochó, Ibotirama e Paulo Afonso, respectivamente, elas integram caravanas que percorreram centenas de quilômetros até Salvador. A cozinha é comandada por mulheres indígenas, como Sandra Maria (Pankararu-PE), que prepara os pratos “com amor e temperos da cultura”.
O maior encontro indígena da Bahia
Reconhecido como o maior espaço de mobilização indígena do estado, o ATL-BA consolidou-se como território político, cultural e espiritual. O evento reafirma a luta por direitos constitucionais, proteção ambiental e preservação cultural, articulando debates sobre educação, saúde e meio ambiente.
De acordo com a reitora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Adriana Marmori Lima, a Bahia abriga 233 etnias indígenas registradas e cerca de 280 mil indígenas, dos quais 80 mil vivem em territórios tradicionais distribuídos em 54 municípios. O restante da população indígena está presente em áreas urbanas dos 417 municípios baianos, refletindo a ampla diversidade e a presença histórica dos povos originários no território.
Políticas estruturantes e inclusão social
A participação do Bahia Sem Fome no 7º Acampamento Terra Livre evidencia a tentativa do governo baiano de integrar políticas sociais com demandas históricas dos povos indígenas, em um esforço de reparação e inclusão. Contudo, a efetividade dessas ações depende da continuidade orçamentária, da demarcação das terras e do enfrentamento das desigualdades estruturais que ainda limitam a autonomia das comunidades. A convergência entre fome, território e clima reforça a necessidade de políticas transversais e permanentes, que superem o assistencialismo e garantam justiça social e ambiental.








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