Investigação aponta envolvimento do general da reserva Braga Netto na articulação de atos antidemocráticos e ataques em 8 de Janeiro

Reportagem de Ana — publicada nesta segunda-feira (18/11/2024) no O Globo— revela que as investigações conduzidas pela Polícia Federal indicam que o general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro e ex-candidato à vice-presidência na chapa de Jair Bolsonaro em 2022, teve papel central na articulação dos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Braga Netto é apontado como responsável por coordenar esforços, mobilizar apoiadores e captar recursos para os atos que culminaram na invasão e depredação de prédios públicos em Brasília.

De acordo com as autoridades, o nome do general também está vinculado a mensagens que reforçam tentativas de barrar a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma troca de mensagens datada de 27 de dezembro de 2022, Braga Netto é questionado sobre a possibilidade de encaminhar o currículo de uma pessoa para o governo. Na ocasião, o general respondeu: “Se continuarmos, poderia enviar para a Sec. Geral. Fora isso vai ser foda”. Para os investigadores, a mensagem é uma evidência de que os conspiradores ainda acreditavam na viabilidade de um golpe de Estado, mesmo após a diplomação de Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Ligações com milícias digitais

O inquérito identificou ainda que Braga Netto teria ordenado ataques nas redes sociais a militares que não aderiram ao plano golpista. Essas ações foram conduzidas por grupos digitais associados à militância bolsonarista, conhecidos por disseminar desinformação e mobilizar apoiadores para os atos de 8 de janeiro.

Entre os documentos analisados, constam registros de uso do termo “Festa da Selma” como código para os atos antidemocráticos. A PF acredita que essa coordenação, além de visar à invasão das sedes dos Três Poderes, tinha o propósito de criar um ambiente propício à contestação da legitimidade do governo eleito.

Conexão com investigação de milícias digitais

Os elementos coletados sobre Braga Netto e os atos de 8 de janeiro serão encaminhados para outro inquérito focado em milícias digitais. Esse desdobramento busca identificar os financiadores e articuladores de campanhas coordenadas contra o Estado Democrático de Direito, além de rastrear a origem dos recursos utilizados para mobilizar grupos de apoiadores.

Contexto e desdobramentos

A investigação sobre Braga Netto ocorre paralelamente a outros inquéritos relacionados aos ataques antidemocráticos, incluindo aqueles que apuram a atuação de militares no planejamento e na execução de ações ilícitas. Caso se confirmem as acusações, as implicações podem abranger crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, formação de milícias digitais e uso indevido de recursos públicos.

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