Literatura de Cordel: Tradição, história e poesia na feira livre de Feira de Santana

O Dia do Cordelista, celebrado em 19 de novembro em homenagem ao poeta paraibano Leandro Gomes de Barros, reconhece a importância da literatura de cordel na preservação da memória cultural do Brasil. Essa tradição, marcada pela criatividade e pelo lirismo, teve um papel significativo na história das feiras livres do Nordeste, em especial na maior feira do Brasil, realizada em Feira de Santana.

Nessas feiras, cordelistas como Rodolfo Coelho Cavalcante, Antônio Alves e Cuíca de Santo Amaro conquistaram grande popularidade, utilizando seus versos para informar e entreter. Cavalcante, natural de Alagoas e um dos mais respeitados nomes do cordel na Bahia, era presença constante nas feiras, onde declamava seus versos e atraía multidões. Obras como “A Moça que Bateu na Mãe e Virou Cachorra” e “A Terra Brilhará Outra Vez – A Vinda do Cometa Kohoutek” alcançaram números expressivos de venda, reforçando a relevância cultural e econômica do cordel.

Antônio Alves, radicado em Feira de Santana por décadas, também deixou sua marca com obras como “Os Perigos de Fernando e Joventina”, baseada em um caso real ocorrido na cidade. Esses cordéis não apenas narravam histórias, mas serviam como crônicas sociais, abordando temas como violência, política e religião. Cuíca de Santo Amaro, por sua vez, utilizava a literatura de cordel como um veículo de crítica social, sendo respeitado e, ao mesmo tempo, controverso por sua abordagem contundente.

A feira livre de Feira de Santana, até sua transferência para o Centro de Abastecimento em 1977, era um espaço vibrante, onde o ruralista encontrava produtos agrícolas, amigos, artistas populares e os cordelistas. Naquele tempo, os cordéis desempenhavam uma função semelhante à dos meios de comunicação modernos, disseminando notícias, ainda que frequentemente fantasiosas, e perpetuando histórias e costumes da região.

Com o avanço tecnológico, o papel dos cordelistas foi reduzido, mas a tradição persiste. A nova geração de poetas populares, como o feirense Franklin Maxado, luta para preservar a literatura de cordel e sua contribuição para a cultura brasileira. Maxado e outros defensores da tradição buscam manter viva essa forma de expressão, utilizando novos meios para alcançar diferentes públicos e perpetuar o legado dos antigos mestres.


Descubra mais sobre Jornal Grande Bahia (JGB)

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


Avatar de Redação do Jornal Grande Bahia

Valorize o jornalismo crítico, plural, rigoroso e comprometido com a verdade factual, a democracia, o Estado de Direito e o interesse público. Escolha o Jornal Grande Bahia (JGB) como fonte preferida no Google: clique aqui.

Sua confiança também fortalece nosso trabalho: avalie o JGB

Selecione o JGB e receba nossas notícias com mais destaque.


Deixe um comentário


Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Descubra mais sobre Jornal Grande Bahia (JGB)

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo