Obras da usina nuclear de Angra 3, iniciadas há quatro décadas, devem ser retomadas em 2025

O presidente da Eletronuclear, Raul Lycurgo Leite, anuncia novas previsões para a conclusão da usina nuclear Angra 3 no segundo semestre de 2025.
O presidente da Eletronuclear, Raul Lycurgo Leite, anuncia novas previsões para a conclusão da usina nuclear Angra 3 no segundo semestre de 2025.

As obras da usina nuclear Angra 3, localizadas na Costa Verde do Rio de Janeiro, foram iniciadas em 1981 e enfrentaram diversas interrupções ao longo dos anos. Segundo o presidente da Eletronuclear, Raul Lycurgo Leite, a expectativa é de que os trabalhos sejam retomados no segundo semestre de 2025. Atualmente, o governo brasileiro arca com custos significativos para a preservação de mais de 12 mil equipamentos já adquiridos para o funcionamento da usina, totalizando um gasto anual de aproximadamente R$ 100 milhões.

O projeto da usina Angra 3 foi concebido como parte de um plano ambicioso do governo brasileiro para expandir sua capacidade nuclear. No entanto, a construção foi paralisada em 1984 e retomada apenas em 2010. Desde então, as obras foram interrompidas novamente em 2015, devido à falta de verba e a investigações relacionadas a corrupção. Em 2022, um novo consórcio venceu a licitação para concluir a parte de construção civil, mas o contrato foi rescindido em junho de 2024 por problemas relacionados à qualificação técnica das empresas envolvidas.

O presidente da Eletronuclear indicou que uma nova licitação internacional deverá ser aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) na reunião programada para o dia 4 de dezembro. O custo total da conclusão das obras da usina é estimado em R$ 23 bilhões. Raul Lycurgo Leite afirmou que a entrega da usina está prevista para o final do segundo semestre de 2030 ou início de 2031, enfatizando que ainda há um considerável volume de trabalho a ser realizado.

De acordo com Leite, atualmente, 67% das intervenções na usina estão concluídas, principalmente no que diz respeito à construção de galpões e outras instalações. Mais de 12 mil equipamentos necessários para a produção de energia elétrica foram adquiridos, representando 80% do total. Com a manutenção desses materiais e os custos operacionais, os gastos anuais da Eletronuclear atingem R$ 220 milhões, além de aproximadamente R$ 720 milhões em serviços de dívida, totalizando quase R$ 1 bilhão em despesas para manter a obra paralisada.

Quando finalizada, a usina Angra 3 terá uma potência de 1.405 megawatts, suficiente para fornecer energia a cerca de 4,5 milhões de pessoas por ano. O funcionamento total do complexo energético representa uma parte significativa da produção elétrica do Brasil, contribuindo com 3% da capacidade total e 60% do consumo no estado do Rio de Janeiro.

Além do foco na conclusão de Angra 3, o Brasil traça um plano ambicioso por meio do Plano Nacional de Energia (PNE) 2050, que visa adicionar cerca de 14 gigawatts de energia nuclear à matriz energética nos próximos 26 anos. Raul Lycurgo Leite salientou que o sucesso desse objetivo requer a colaboração entre o setor público e a iniciativa privada, além da necessidade de um novo marco regulatório que facilite a entrada de investidores internacionais. Ele observou que a capacidade financeira da Eletronuclear estará comprometida com os projetos Angra 1, Angra 2 e Angra 3, ressaltando a importância do apoio privado para o desenvolvimento de mais oito a dez usinas nucleares.

*Com informações da Sputnik News.


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