PF aponta falta de apoio como fator decisivo para evitar tentativa de Golpe de Estado por militares bolsonaristas

Um relatório da Polícia Federal (PF), divulgado nesta terça-feira (26/11/2024) após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concluiu que a tentativa de golpe de Estado articulada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados foi frustrada pela ausência de adesão do Exército e da Aeronáutica. O golpe estava previsto para ocorrer em 15 de dezembro de 2022, três dias após a diplomação de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin como presidente e vice-presidente da República.

Encontros estratégicos e planejamento

De acordo com o documento, no dia planejado para o golpe, Bolsonaro reuniu no Palácio da Alvorada o então ministro da Justiça, Anderson Torres, os generais da reserva Braga Netto e Mario Fernandes, e o comandante do Exército à época, general Freire Gomes. Durante a mesma data, foi registrada uma operação clandestina visando à prisão do ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE à época e relator do inquérito do golpe.

Resistência das forças armadas

Os investigadores da PF indicam que a operação foi abandonada após os golpistas receberem informações de que as tropas do general Freire Gomes não apoiariam a medida. Esse posicionamento levou Bolsonaro a não assinar o decreto golpista redigido previamente.

“O general Freire Gomes e a maioria do alto comando do Exército mantiveram a posição institucional, o que impediu a concretização da ruptura planejada”, afirmou a PF no relatório. A Aeronáutica, liderada pelo comandante Baptista Junior, também recusou apoiar o intento golpista, frustrando a articulação.

Apesar disso, os investigadores apontaram que outras lideranças militares, como o comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, e o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio, demonstraram adesão às propostas de ruptura.

Contexto de tensão pós-eleitoral

A tentativa de golpe estava inserida em um cenário de tensão acentuada após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022. Em 12 de dezembro daquele ano, horas após a diplomação de Lula e Alckmin, manifestantes contrários ao resultado eleitoral invadiram a sede da Polícia Federal em Brasília e incendiaram veículos na região, ampliando a instabilidade.

Responsabilização judicial

O relatório da PF culminou no indiciamento de Bolsonaro e mais 36 pessoas, sob acusação de conspiração para a abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A decisão de tornar público o documento foi autorizada pelo STF como parte do chamado “inquérito do golpe”, que segue em andamento para detalhar as responsabilidades e ações de cada indiciado.


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