A Polícia Federal (PF) concluiu, em relatório divulgado nesta terça-feira (26/01/2024), que o general da reserva Walter Braga Netto teve participação direta nos atos relacionados à tentativa de golpe de Estado no Brasil, incluindo ações para obstruir as investigações sobre o caso. Além de Braga Netto, outras 36 pessoas foram indiciadas no inquérito conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação ocorre no âmbito do chamado “inquérito do golpe”, cujo sigilo foi derrubado pelo ministro Alexandre de Moraes.
Braga Netto, que foi candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, ocupou anteriormente os cargos de ministro-chefe da Casa Civil (2020-2021) e ministro da Defesa (2021-2022). A PF afirma que, em novembro de 2022, o general sediou uma reunião em sua residência com militares das Forças Especiais do Exército, na qual foi apresentado e aprovado um planejamento operacional que incluía ações clandestinas para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin.
A investigação também identificou documentos encontrados na sede do Partido Liberal (PL), que vinculam Braga Netto à chamada “Operação 142”, um plano que, segundo a PF, visava interromper a transição de governo, mobilizar apoio jurídico e midiático e impedir que Lula assumisse a presidência. O relatório inclui provas de que o grupo investigado planejava criar um Gabinete vinculado à Presidência, liderado por Braga Netto e pelo general Augusto Heleno, para implementar ações previstas em um decreto golpista.
Além disso, foram encontrados elementos que demonstram tentativas do general de acessar informações confidenciais sobre o acordo de colaboração premiada firmado por Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Segundo a PF, o general buscou esses dados por meio dos pais de Cid, com quem mantinha contato.
O relatório destaca ainda que, em dezembro de 2022, Braga Netto esteve envolvido em esforços para persuadir os comandantes do Exército e da Aeronáutica a aderirem ao plano golpista, com o objetivo de abolir o Estado Democrático de Direito.
Em resposta, a defesa de Braga Netto declarou, por meio de nota, que confia no esclarecimento dos fatos durante o processo legal, reafirmando a lealdade do general ao ex-presidente Bolsonaro.











Deixe um comentário