O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou na noite de terça-feira (05/11/2024), a demissão do ministro da Defesa Yoav Gallant, em um movimento surpreendente, motivado por uma alegada “crise de confiança”. A decisão foi tomada em meio a uma contínua divergência entre os dois, que se intensificou durante a guerra contra o Hamas, que já se arrasta por mais de dois anos, desde o início dos confrontos em Gaza.
Netanyahu explicou que a confiança em Gallant havia “desgastado” ao longo dos últimos meses. Em comunicado oficial, o primeiro-ministro destacou que, em tempos de guerra, a confiança mútua entre o chefe de governo e o ministro da Defesa é essencial.
“Nos primeiros meses da campanha, havia uma confiança mútua e um trabalho muito frutífero, mas infelizmente, nos últimos meses, essa confiança foi quebrada”, declarou Netanyahu.
Como parte da reestruturação do governo, Israel Katz, ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, foi indicado como o substituto de Gallant no cargo de ministro da Defesa. Além disso, o ex-rival político de Netanyahu, Gideon Saar, que retornou recentemente ao governo, assumirá a pasta de Negócios Estrangeiros.
Desentendimentos e Divergências Durante a Guerra em Gaza
Os desentendimentos entre Netanyahu e Gallant não são recentes. Durante a guerra contra o Hamas, as visões dos dois se afastaram cada vez mais. Enquanto Netanyahu defendia a intensificação das ações militares contra o Hamas, Gallant adotava uma postura mais pragmática, sugerindo que a pressão militar criada um contexto favorável para uma possível negociação diplomática, com o objetivo de trazer os reféns de volta para Israel.
A relação tensa entre os dois já havia gerado rumores sobre a possível demissão de Gallant em março de 2023, quando Netanyahu tentou afastá-lo, mas a pressão pública em apoio ao ministro, principalmente devido à sua abordagem sobre a crise dos reféns, fez com que a decisão fosse adiada. Protestos massivos contra Netanyahu, relacionados à sua gestão do ataque de 7 de outubro de 2024 pelo Hamas, também foram um fator determinante na época para a permanência de Gallant no cargo.
Reformas Judiciais e Conflitos Políticos
Além das divergências sobre a guerra em Gaza, Gallant, um ex-comandante naval e oficial das Forças de Defesa de Israel (FDI), se tornou um crítico das reformas judiciais propostas por Netanyahu, que visam limitar os poderes do Judiciário em Israel. Essas reformas têm gerado divisões dentro do governo e da sociedade israelense, com Gallant se opondo veementemente a elas. Além disso, o ex-ministro também se envolveu em confrontos com o Ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, um dos principais aliados de Netanyahu.
Em resposta à sua demissão, Gallant emitiu uma declaração reafirmando seu compromisso com a segurança de Israel.
“A segurança do Estado de Israel sempre foi, e continuará a ser, a missão da minha vida”, afirmou Gallant, indicando que sua saída do governo não alteraria sua dedicação à causa nacional.
Implicações da Demissão para o Governo Netanyahu
A saída de Yoav Gallant pode sinalizar novas tensões dentro do governo israelense, especialmente considerando sua trajetória militar e política, que contrasta com a abordagem de Netanyahu em relação à guerra em Gaza e às reformas judiciais. A mudança também destaca as complexidades internas da coalizão liderada por Netanyahu, que enfrenta críticas crescentes sobre sua gestão da crise com o Hamas e a condução da política interna, incluindo os desacordos sobre as reformas no sistema judiciário.
Gallant, ao longo de sua carreira, foi uma figura respeitada no campo militar e, embora sua saída tenha sido impulsionada por desentendimentos políticos, sua experiência nas Forças de Defesa de Israel provavelmente terá impacto em como a segurança e a defesa serão tratadas por seu sucessor, Israel Katz.
*Com informações da Euronews.










Deixe um comentário