Relatório da Polícia Federal aponta Golpismo do ex-presidente Jair Bolsonaro como raiz de ataques e radicalismo contra a República

A Polícia Federal (PF) concluiu, em seu relatório final sobre o inquérito do golpe, que a difusão de narrativas golpistas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro foi um fator decisivo para o atentado com homem-bomba no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2024 e para os eventos do 8 de janeiro de 2023. O relatório, que inclui o indiciamento de Bolsonaro e outros 36 acusados por tentativa de golpe de Estado, foi divulgado no dia 26 de novembro de 2024, após o levantamento do sigilo pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no STF.

De acordo com a PF, as campanhas repetitivas e sistemáticas de desinformação alimentaram o desejo de grupos extremistas em concretizar um golpe, que, embora tenha sido planejado por Bolsonaro e aliados, não se concretizou devido à falta de apoio das Forças Armadas, em especial do Exército e da Aeronáutica. A PF descreve que essa atmosfera de ataques ao Estado Democrático de Direito criou as condições para o florescimento de um radicalismo que resultou nos atos de 8 de janeiro e, mais recentemente, no atentado de 13 de novembro de 2024, em Brasília.

O relatório destaca que a ação do ex-presidente Bolsonaro foi determinante no processo de planejamento do golpe, sendo ele um ator central nas articulações. A investigação revela que Bolsonaro esteve diretamente envolvido no comando dos atos executórios para a tentativa de golpe, incluindo um plano de sequestrar ou até assassinar figuras chave, como o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin. A PF ainda menciona o envolvimento do almirante Almir Garnier, então comandante da Marinha, que teria colocado as tropas à disposição de Bolsonaro, mas sem o apoio das demais forças armadas, o golpe não teve êxito.

Outro ponto de destaque no relatório foi a apreensão de um documento manuscrito na sede do Partido Liberal (PL), que detalha ações para interromper o processo de transição de governo. O documento, que continha a frase “Lula não sobe a rampa”, sugeria um plano para impedir que o vencedor das eleições de 2022 assumisse o cargo de presidente, recorrendo à mobilização de juristas e formadores de opinião, bem como ao uso das Forças Armadas, como previsto no artigo 142 da Constituição Federal. Este movimento ficou conhecido como “Operação 142”.

Com a conclusão do relatório, a PF enviou o inquérito à Procuradoria-Geral da República (PGR), que agora tem a responsabilidade de decidir se formaliza a denúncia contra Bolsonaro e os demais envolvidos perante o STF. A decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, será crucial para o andamento do processo judicial.

Golpistas planejaram estratégias para implicar Governo Lula em atos de 8 de janeiro, revela documento

Documentos encontrados na residência do general da reserva Mário Fernandes apontam para um esquema elaborado para interferir nas investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O material revela estratégias que visavam atribuir a responsabilidade dos eventos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Essa informação foi divulgada no relatório da Polícia Federal (PF), cujos detalhes tiveram sigilo levantado na tarde de hoje (26), pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mário Fernandes, que exerceu a função de número dois da Secretaria-Geral da Presidência no governo de Jair Bolsonaro, esteve diretamente envolvido na criação do documento, datado de 16 de maio de 2023. Naquele período, ele ocupava um cargo de natureza especial no gabinete do deputado federal General Pazuello. O documento contém orientações estratégicas para a oposição ao governo Lula, com o intuito de desviar as investigações do grupo de indivíduos envolvidos nos atos golpistas e pressionar por um possível impeachment do atual presidente.

Entre os objetivos da estratégia, destacam-se esforços para enfraquecer a imagem do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seu ministro Alexandre de Moraes, com o propósito de fomentar pedidos de impeachment contra os integrantes da Corte, apelidados de “ditadura da toga”. Além disso, uma das propostas era deslegitimar as prisões dos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro, apelidados de “patriotas”, e compará-las com as prisões dos judeus durante o regime nazista, conforme registrado no documento.

O esquema também contemplava ações para intimidar a Polícia Federal, acusando o órgão de cometer abusos e de realizar prisões ilegais relacionadas aos envolvidos nos atos de janeiro.

Entre as anotações encontradas com Mário Fernandes, estão ainda detalhes sobre uma tentativa de criar uma narrativa que responsabilizasse o então ministro da Justiça, Flávio Dino, por omissão durante a tentativa de golpe de Estado. A estratégia visava não só enfraquecer o governo, mas também influenciar as investigações, que estavam em andamento.


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