A expectativa de um cessar-fogo no Oriente Médio, especialmente entre o Hezbollah e Israel, aumentou durante a semana com a visita de dois emissários americanos à região. O primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, indicou que um acordo poderia ser anunciado em breve, mas até o momento não houve avanços concretos. Há informações sobre a possibilidade de um ataque do Irã a Israel, que seria uma retaliação às ações israelenses contra alvos iranianos na semana anterior.
Após encontros em Beirute, os emissários americanos Amos Hochstein e Brett McGurk se reuniram com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para discutir possíveis soluções. O jornal saudita Al-Hadath relatou que o Hezbollah não aceita modificações na Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que terminou a Segunda Guerra do Líbano em 2006 e inclui o desarmamento da milícia. O grupo se recusa a se afastar para além do Rio Litani, que fica a 30 quilômetros da fronteira com Israel.
As informações da RFI indicam que, apesar dos esforços contínuos, ainda não há uma solução clara para os impasses. O principal ponto de discórdia é que Israel deseja liberdade de ação no território libanês, especialmente no sul, para garantir dois objetivos: o afastamento do Hezbollah além do Rio Litani e a proibição do rearmamento da milícia.
O Wall Street Journal noticiou uma alternativa que está sendo discutida, permitindo que o Exército de Israel opere no Líbano por um “período provisório” de 60 dias após um eventual cessar-fogo. Contudo, a partida de Amos Hochstein para Washington diminui as expectativas de um acordo próximo, uma vez que, se houvesse um caminho claro para um compromisso, ele permaneceria na região.
Na quarta-feira, o primeiro-ministro interino do Líbano, Najib Mikati, reafirmou sua expectativa de um cessar-fogo nas “próximas horas ou dias”. Ele afirmou que Hochstein apresentou uma proposta confidencial durante sua visita a Beirute. O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, também comentou sobre o progresso nas discussões para a implementação efetiva da Resolução 1701.
A questão do conflito no Oriente Médio tem recebido destaque na imprensa israelense e provoca reações entre os cidadãos e políticos do país. Uma pesquisa realizada pela Langer Research Associates e pela Public Opinion Research Israel (PORI) revelou que, se os israelenses pudessem votar nas eleições norte-americanas, 54% escolheriam o ex-presidente Donald Trump, enquanto 21% votariam na vice-presidente Kamala Harris. Tradicionalmente, os judeus norte-americanos tendem a apoiar o Partido Democrata, com 65% indicando intenção de voto em Harris, conforme pesquisa do Pew Research Center.
No cenário político israelense, existem incertezas sobre o que um eventual novo mandato de Trump significaria. A relação entre Trump e Netanyahu, marcada por tensões após a vitória de Biden em 2020, continua a ser um tópico sensível. Em uma entrevista de 2021, Trump expressou descontentamento com Netanyahu por reconhecer rapidamente a vitória de Biden. Recentemente, Netanyahu tentou restabelecer o contato, evidenciando a relevância da dinâmica política entre os dois.
Com relação ao envolvimento do governo dos EUA no conflito, caso Kamala Harris seja eleita, espera-se que a pressão sobre Israel continue, visando a implementação de um acordo que encerre as hostilidades, melhores condições de vida para os palestinos e alternativas políticas ao controle do Hamas em Gaza.
A possibilidade de uma retaliação do Irã é uma preocupação constante para as autoridades de segurança israelenses. Após os ataques israelenses a instalações iranianas, o líder supremo Ali Khamenei está sob pressão interna para responder. O portal Walla de Israel reportou que um possível ataque iraniano poderia ser lançado a partir do Iraque, com o objetivo de prevenir novas retaliações israelenses. Os ataques de Israel danificaram sistemas de defesa e capacidades de produção de mísseis iranianos, tornando os alvos vulneráveis a ações futuras.
*Com informações da RFI.








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