Investigação de venda de sentenças no STJ envolve agropecuária e resulta em medidas judiciais e afastamentos

Vista aérea da sede do STJ, em Brasília.
Fachada do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, onde decisões judiciais estão sob investigação em operação da Polícia Federal,

Reportagem de Constança Rezende — publicada em 3 de dezembro de 2024 (terça-feira) na Folha de S.Paulo — revela que a defesa da Agropecuária Noirumbá ingressou com um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para anular decisões desfavoráveis à empresa, após seu nome ser citado em investigações da operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal. O caso envolve suspeitas de venda de sentenças judiciais, incluindo acusações contra servidores do tribunal e lobistas. A investigação tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).

A operação Sisamnes, conduzida pela Polícia Federal, revelou diálogos entre o advogado Roberto Zampieri e o empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, apontando a possível manipulação de decisões judiciais em favor de clientes. Entre as provas coletadas, há menções à Agropecuária Noirumbá como uma das partes prejudicadas no esquema. A empresa questiona a imparcialidade de decisões anteriores e anexou reportagens sobre a operação como evidências de fatos novos que poderiam comprometer os julgamentos.

Em mensagens obtidas pela PF, Andreson mencionou Daimler Alberto de Campos, chefe de gabinete da ministra Isabel Galotti à época, como intermediário em supostos esquemas financeiros. Os diálogos incluem referências a pagamentos e movimentações processuais que indicariam uma rede de contatos para influenciar decisões judiciais. Galotti proferiu, em 2021, uma decisão monocrática contra a Noirumbá, envolvendo a posse de um terreno de 9 mil hectares no Mato Grosso, disputado entre a empresa e clientes de Zampieri.

O ministro do STF Cristiano Zanin autorizou a operação e determinou o afastamento de Daimler de suas funções no STJ, além do bloqueio de R$ 2 milhões de seus bens. Zanin afirmou que as investigações indicam uma rede criminosa estruturada para a venda de sentenças e acesso privilegiado a informações sigilosas. A análise do celular de Zampieri, assassinado no final do ano passado, trouxe à tona novas evidências que ligam servidores e magistrados ao esquema.

Além das ações no STJ, dois desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso foram afastados por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O STJ e os acusados, incluindo Galotti e Daimler, ainda não se manifestaram sobre o caso. Em declaração à imprensa, o presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, minimizou o impacto das denúncias, descrevendo os eventos como desvios isolados de conduta.

As investigações seguem em sigilo, sem indícios formais do envolvimento de magistrados de tribunais superiores no esquema. A operação trouxe à tona questionamentos sobre a integridade do sistema judiciário, ao mesmo tempo em que reforçou a necessidade de medidas preventivas contra práticas ilícitas no âmbito judicial.


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