A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e o Ministério da Saúde apresentaram, no último sábado (14/12/2024), em Salvador, o plano de ação para o combate às arboviroses no período de 2024/2025. O seminário teve como tema “Desafios e Ações para Reduzir a Mortalidade” e reuniu autoridades de saúde, gestores e especialistas para discutir as medidas a serem adotadas no enfrentamento das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, chikungunya, zika e febre do oropouche.
De acordo com o secretário adjunto da Vigilância do Ministério da Saúde, Rivaldo Venâncio, o combate às arboviroses não pode ser restrito aos hospitais ou campanhas de vacinação. Ele enfatizou que o controle das doenças depende de ações intersetoriais, que envolvem a mobilização das comunidades, a melhoria do saneamento básico, a educação e o cuidado com o meio ambiente.
“É uma missão compartilhada”, afirmou.
O subsecretário da Saúde do Estado, Paulo Barbosa, relatou que, em 2024, o Governo da Bahia investiu mais de R$ 23 milhões em ações intersetoriais, como aquisição de kits para agentes de combate às endemias, mutirões de limpeza e operações conjuntas com o Corpo de Bombeiros. A capacitação de profissionais de saúde e a disponibilização de equipamentos e medicamentos nos municípios mais afetados também foram enfatizadas.
A diretora de Atenção Básica, Marcus Prates, destacou a importância do fortalecimento da Atenção Básica como a porta de entrada do sistema de saúde, crucial para a detecção precoce e prevenção do agravamento das doenças. Zaine Lima, diretora de Gestão de Serviços de Saúde, ressaltou a necessidade de uma rede assistencial bem estruturada, capaz de oferecer uma resposta rápida e integrada durante surtos.
O plano de ação 2024/2025 foi delineado com base em seis eixos estratégicos: prevenção, vigilância, controle vetorial, reorganização da rede assistencial, preparação para emergências e comunicação. O fortalecimento de campanhas educativas, o monitoramento contínuo dos casos e o uso de tecnologias para mapeamento de focos são algumas das ações previstas.
Em relação aos dados de 2024, a Bahia registrou 232.623 casos prováveis de dengue, um aumento de 395% em relação ao ano anterior. Além disso, foram registrados 16.491 casos de chikungunya, 1.166 de zika e 1.077 de febre do oropouche. Apesar dos números preocupantes, a resposta coordenada já trouxe resultados positivos em algumas regiões do estado, conforme explicou Márcia São Pedro, diretora de Vigilância Epidemiológica.
O médico infectologista Antônio Bandeira, da Sociedade Brasileira de Infectologia, destacou a importância da hidratação e do atendimento imediato nos primeiros sinais de dengue. Ele ressaltou que a triagem eficiente e a identificação precoce dos sinais de alarme são essenciais para evitar internações em estado crítico.
O seminário também abordou o apoio do governo federal aos estados, com o fornecimento de recursos e apoio técnico para enfrentar os surtos. Rivaldo Venâncio reforçou a necessidade de uma atuação integrada para lidar com o desafio das arboviroses, e o subsecretário Paulo Barbosa concluiu com um apelo à colaboração de toda a sociedade para evitar surpresas no próximo surto.











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