O Governo Lula anunciou, na última quarta-feira (18/08/2024), o lançamento de um novo plano de ação para combater os impactos das arboviroses no Brasil, com foco em doenças como Dengue, Chikungunya, Zika e Oropouche. O objetivo é reduzir os números de casos e óbitos durante o próximo período sazonal, especialmente nas regiões de maior vulnerabilidade social. O plano, elaborado com a participação de diversos atores do setor de saúde, será coordenado em parceria com estados, municípios e organizações sociais, baseando-se em novas tecnologias e evidências científicas.
Contexto e Ações Locais
O anúncio foi feito no Palácio do Planalto, em uma cerimônia que contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra da Saúde, Nísia Trindade, e da secretária da Saúde da Bahia, Roberta Santana. Durante o evento, Santana destacou o trabalho realizado na Bahia, onde, apesar do aumento significativo nos casos de dengue, o estado conseguiu superá-los por meio de parcerias entre governo estadual e municípios. A Bahia investiu mais de R$ 21 milhões em ações como a aquisição de veículos para controle de mosquitos, distribuição de kits para agentes de endemias e treinamento de equipes assistenciais.
Situação Epidemiológica Atual
Até 14 de setembro de 2024, foram notificados 231.871 casos prováveis de dengue na Bahia, com 143 óbitos. Além disso, 19 municípios enfrentam epidemia de dengue. Em relação à Chikungunya, o estado notificou 15.712 casos, com nove óbitos, enquanto o Zika vírus contabilizou 1.067 casos sem mortes.
O Plano de Ação
O plano de ação do Ministério da Saúde se baseia em seis eixos principais de atuação, a serem implementados no segundo semestre, quando as condições climáticas favorecem o aumento de casos. Os eixos incluem:
- Prevenção
- Vigilância
- Controle vetorial
- Organização da rede assistencial e manejo clínico
- Preparação e resposta a emergências
- Comunicação e participação comunitária
A secretária Roberta Santana enfatizou a importância do eixo relacionado à organização da rede assistencial e manejo clínico. A atualização de protocolos clínicos, parcerias com entidades públicas e privadas e a capacitação de equipes são componentes-chave para melhorar a resposta à epidemia. Além disso, Santana destacou a realização de mutirões cirúrgicos para crianças com sequelas de Zika, como uma ação prioritária no estado.
Novas Tecnologias e Controle Vetorial
Entre as novas estratégias para controle vetorial, destaca-se a ampliação do método Wolbachia, uma bactéria que, quando introduzida no mosquito Aedes aegypti, inibe o desenvolvimento de vírus causadores de doenças como dengue, Zika e chikungunya. A técnica consiste em liberar mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia, que, ao se reproduzirem, criam uma nova população de mosquitos incapazes de transmitir esses vírus.
Além disso, o governo ampliará o uso de Estações Disseminadoras de Larvicida, testadas com sucesso entre 2017 e 2020 em 14 cidades brasileiras, e a técnica de uso de insetos estéreis em aldeias indígenas, além da Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI) em áreas de alta circulação de pessoas.
Prevenção e Vigilância
Durante o período intersazonal, quando o número de casos é mais baixo, as ações preventivas serão intensificadas, com foco na remoção de criadouros de mosquitos e na implementação de novas tecnologias de controle vetorial. Haverá também uma força-tarefa para sensibilizar a rede de vigilância a realizar a investigação de casos, coleta de amostras laboratoriais e identificação dos sorotipos circulantes.
O plano prevê medidas adicionais para o período sazonal, caso haja um aumento significativo de casos, com foco no fortalecimento da rede assistencial e na redução de hospitalizações e óbitos evitáveis. Ações de vigilância terão prioridade para amostras de casos graves e investigação de óbitos.
Vacinação e Mobilização Social
A vacinação contra a dengue é uma estratégia importante, embora limitada pelo número reduzido de doses disponíveis. Na Bahia, mais de 180 mil doses já foram aplicadas em 125 municípios. A secretária Roberta Santana destacou que, além da vacina, é fundamental unir esforços entre sociedade e poder público para a eliminação dos focos do mosquito e a preparação adequada dos serviços de saúde.












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