O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Márcio de Lima Leite, afirmou que o Brasil enfrenta riscos econômicos ao depender excessivamente da importação de veículos elétricos e híbridos. Em entrevista ao jornal O Globo, ele revelou que o país deixou de arrecadar R$ 6 bilhões em tributos em 2024 devido à manutenção da alíquota de importação desses veículos abaixo de 35%, percentual que só será alcançado em 2026.
As importações de veículos elétricos registraram um aumento de 107,7% em 2024, somando US$ 1,6 bilhão, o que corresponde a aproximadamente R$ 9,6 bilhões. Márcio de Lima Leite destacou que o crescimento das compras externas, particularmente da China, agravou o déficit na balança comercial. Em 2024, 84% dos veículos elétricos importados e 61% dos híbridos adquiridos pelo Brasil tiveram origem chinesa.
O dirigente da Anfavea argumentou que a atual política de importação desestimula a nacionalização da produção, prejudicando a geração de empregos e o fortalecimento da cadeia produtiva local. Ele enfatizou que o investimento em fornecedores nacionais e na produção interna é essencial para o desenvolvimento tecnológico e econômico do setor automotivo brasileiro.
A China, maior exportadora global de veículos elétricos, tem priorizado a expansão de mercados externos, incluindo o Brasil, sem transferir etapas significativas de produção para outros países. Um exemplo disso é o investimento anunciado pela montadora BYD, que planeja construir três fábricas em Camaçari, na Bahia, com um aporte de R$ 5,5 bilhões e capacidade de produção de 150 mil veículos por ano. No entanto, a operação inicial será baseada na importação de veículos desmontados, limitando a geração de empregos locais.
Em reuniões recentes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros do governo, Márcio de Lima Leite defendeu ajustes na política industrial e tributária para equilibrar o mercado e impulsionar a produção nacional. Ele ressaltou que a adoção de tecnologias inovadoras e o fortalecimento de fornecedores internos são fundamentais para que o Brasil não fique à margem da transformação global na indústria automotiva.
*Com informações da Sputnik News.







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