O primeiro-ministro canadense Justin Trudeau anunciou, na última segunda-feira (06/01/2025), que deixará o cargo assim que seu partido, o Partido Liberal do Canadá, escolher um sucessor. A decisão, que ocorre após um período de crescente pressão interna e baixa popularidade, reflete as dificuldades políticas que o líder de 53 anos enfrenta, com seu partido em declínio nas pesquisas eleitorais. Ao fazer o anúncio, Trudeau afirmou que se retiraria para permitir que o país tivesse “uma escolha real” nas próximas eleições, previstas para até outubro de 2025. No entanto, ele continuará a ocupar o cargo de primeiro-ministro até que um sucessor seja encontrado, uma transição que pode levar meses, uma vez que o Partido Liberal precisará realizar um processo interno de escolha de líder.
A decisão foi tomada em meio a um cenário de insatisfação crescente dentro do Partido Liberal, que recentemente perdeu duas cadeiras parlamentares em regiões tradicionalmente dominadas por seus membros. A queda nas pesquisas eleitorais, com uma diferença superior a 20 pontos para o rival conservador Pierre Poilievre, e os desafios políticos internos e externos, contribuíram para o enfraquecimento do governo Trudeau. Durante a coletiva, Trudeau destacou que não poderia continuar a exercer suas funções enquanto travava disputas internas dentro de seu partido, o que comprometeria sua capacidade de liderança. “Este país merece uma escolha real na próxima eleição. Ficou claro para mim que, se eu tiver que travar batalhas internas, não poderei ser primeiro-ministro”, declarou, visivelmente emocionado.
Queda na popularidade e crises políticas
A saída de Trudeau ocorre em um contexto de crescente desgaste político. Ele enfrenta a desconfiança de seu partido e uma oposição cada vez mais forte, refletida nas pesquisas que indicam um amplo apoio a Poilievre, líder do Partido Conservador. A crise de popularidade de Trudeau é alimentada pela alta inflação no país, pela crise no setor de habitação e serviços públicos, e pela falta de uma resposta efetiva a uma série de desafios econômicos. Além disso, o governo foi abalado pela renúncia da vice-primeira-ministra Chrystia Freeland, que discordava da estratégia do governo em relação à iminente guerra econômica com os Estados Unidos. A situação se agravou com declarações do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que prometeu impor tarifas de 25% sobre o Canadá e o México, pressionando ainda mais a economia canadense, que depende fortemente do comércio com os EUA.
Com uma minoria no Parlamento, Trudeau teve dificuldades para manter a estabilidade política, e o Partido Liberal, que já sofreu a saída de aliados da esquerda, se vê agora diante de uma disputa interna para escolher um novo líder. Fontes indicam que figuras como o ex-governador do Banco do Canadá, Mark Carney, e a própria Chrystia Freeland estão trabalhando nos bastidores para viabilizar suas candidaturas. A escolha do próximo líder do Partido Liberal será fundamental para definir o futuro político do Canadá, especialmente diante da possibilidade de uma vitória dos conservadores nas próximas eleições gerais.
Desafios para o sucessor
Os desafios enfrentados pelo sucessor de Trudeau serão significativos. O Partido Liberal se encontra em uma posição política frágil, sem o entusiasmo de outros momentos e com uma base partidária em declínio. Segundo especialistas, como André Lamoureux, professor de ciência política da Universidade do Quebec, é “uma causa perdida” para o Partido Liberal recuperar o apoio popular necessário para reconquistar o governo. A situação exigirá um esforço considerável do novo líder para reconstruir a imagem do partido e mobilizar a população em torno de uma nova visão para o país.
Justin Trudeau, filho do carismático ex-primeiro-ministro Pierre Elliott Trudeau, passou grande parte de sua vida buscando um caminho próprio antes de ingressar na política. Seu governo foi marcado por algumas conquistas, como a legalização da maconha e a implementação de políticas progressistas em diversas áreas, mas também por polêmicas e desafios econômicos e sociais que agora culminam em sua decisão de deixar o cargo.










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