O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a levantar, em declarações nesta segunda-feira (06/01/2025), a possibilidade de os Estados Unidos assumirem o controle do Canadá e da Gronelândia. A provocação ocorreu logo após a demissão do primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, que encerrou seu mandato de quase uma década à frente do país. A crise interna e a percepção de um governo improdutivo foram citadas por Trudeau como motivos para sua saída, que aconteceu na segunda-feira, 6 de janeiro de 2025. A demissão de Trudeau, que sucedeu uma série de batalhas políticas dentro do Partido Liberal, deixou um cenário de incerteza política, tanto no Canadá quanto em suas relações com os Estados Unidos.
Em resposta à saída de Trudeau, Trump utilizou sua plataforma Truth Social para novamente sugerir que uma fusão entre o Canadá e os EUA seria benéfica para ambas as nações. Segundo o presidente eleito, essa fusão eliminaria as tarifas comerciais, reduziria impostos e garantiria segurança ao Canadá, que, segundo Trump, estaria sob constante ameaça de ataques provenientes da Rússia e da China. Trump ainda alegou que os Estados Unidos não poderiam continuar a arcar com o déficit comercial causado pelas necessidades financeiras do Canadá, que dependia de subsídios para se manter estável.
Essas declarações de Trump não são inéditas. Já em dezembro de 2024, o ex-presidente havia sugerido que muitos canadenses apoiavam a ideia de união entre os dois países, embora uma pesquisa recente indicou que apenas 13% da população canadiana compartilham desse desejo. A reação de críticos foi imediata, com alguns questionando a oportunidade das declarações de Trump. O ex-embaixador canadiano nos Estados Unidos, David MacNaughton, afirmou que a demissão de Trudeau, que ocorre poucos dias antes da posse de Trump, torna difícil qualquer tentativa de evitar a ameaça de tarifas sobre os produtos canadenses, como prometido por Trump durante a campanha eleitoral.
Além de seu comentário sobre o Canadá, Trump voltou a se pronunciar sobre a Gronelândia, sugerindo que a ilha poderia ser uma adição estratégica para os Estados Unidos. Em uma publicação na mesma plataforma, Trump afirmou que a Gronelândia é um local “incrível” e que os habitantes da ilha se beneficiariam caso o território se tornasse parte dos Estados Unidos. O presidente eleito ainda comentou que seu filho, Donald Trump Jr., viajaria até a Gronelândia, para visitar algumas das paisagens mais notáveis da região. A sugestão de Trump remonta a declarações anteriores, incluindo a famosa tentativa de compra da ilha em 2019, quando o governo dinamarquês rejeitou a proposta, levando Trump a cancelar uma viagem ao país.
A questão da Gronelândia também gera controvérsias no cenário político dinamarquês. Em dezembro de 2024, o primeiro-ministro da Gronelândia, Mute Egede, reiterou o apelo por um referendo sobre a independência da ilha em relação à Dinamarca. Embora não tenha se pronunciado diretamente sobre as mais recentes declarações de Trump, o governo da Gronelândia se mostrou resistente à ideia de venda ou controle por parte dos Estados Unidos. Aaja Chemnitz, membro do parlamento da Gronelândia, criticou as propostas de Trump, alertando que a população local não deveria aceitar a “ilusão” de que sua felicidade estaria atrelada à cidadania americana.
O cenário político atual tanto no Canadá quanto na Gronelândia é de instabilidade, com desafios internos e externos. A relação com os Estados Unidos, especialmente sob a presidência de Trump, continuará sendo um tema de intensos debates, com implicações significativas para a política externa e a economia de ambas as nações.








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