Nesta segunda-feira (20/01/2025), Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos pela segunda vez, com uma abordagem radical que promete transformar diversos aspectos da política interna e externa do país. A cerimônia de posse ocorreu no Capitólio de Washington, onde o presidente republicano, com o apoio majoritário de seu partido nas duas câmaras do Congresso, afirmou que seu governo começará uma nova era, marcada por mudanças profundas e reverterá as políticas adotadas durante o mandato de Joe Biden, seu antecessor.
A posse de Trump foi uma das mais aguardadas e também uma das mais controversas da história recente dos Estados Unidos. O novo presidente vem com um discurso de “restauração da grandeza americana”, e promete não apenas desmantelar as políticas de seu antecessor, mas também alterar as estruturas fundamentais da administração pública e da sociedade americana. Além de uma série de promessas de transformação, Trump adiantou que no seu primeiro dia de governo assinará uma quantidade considerável de ordens executivas, incluindo aquelas destinadas a reverter iniciativas-chave do governo Biden, como medidas relacionadas à imigração, proteção ambiental e promoção da diversidade racial e de gênero.
Primeiras Medidas: Radicalização das Políticas de Segurança e Imigração
Entre as ordens executivas que Trump pretende assinar logo após sua posse, destacam-se ações voltadas para a segurança nacional e a imigração. O novo presidente anunciou que acelerará a construção do muro na fronteira com o México, uma de suas promessas mais emblemáticas desde sua primeira campanha presidencial. Além disso, o magnata planeja classificar cartéis de drogas como “organizações terroristas estrangeiras” e expandir a utilização de tropas na fronteira para coibir o tráfico de drogas e a imigração ilegal.
Outras ordens que Trump pretende assinar incluem medidas que facilitam a deportação de imigrantes indocumentados, inclusive aqueles sem antecedentes criminais, além da revogação de programas federais voltados à promoção da diversidade no ambiente de trabalho e no governo. Essas decisões têm gerado grande preocupação entre grupos pró-direitos humanos, que veem essas políticas como um retrocesso em relação aos avanços conquistados nos últimos anos em termos de igualdade racial e de tratamento.
Além disso, Trump pretende implementar ações drásticas para a limitação da imigração legal, com o restabelecimento da polêmica política “Permaneça no México”, que obriga os solicitantes de asilo a permanecerem no país vizinho enquanto aguardam o julgamento de seus casos nos tribunais americanos.
Cerimônia de Posse e Convidados Controversos
A posse de Trump foi marcada por um tom formal, mas também por uma série de controvérsias relacionadas aos convidados. Entre as figuras de destaque presentes, estavam líderes populistas e de extrema-direita de diferentes partes do mundo, como o presidente da Argentina, Javier Milei, e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Esta é uma mudança significativa em relação às cerimônias de posse de outros presidentes, quando, por motivos de segurança, chefes de Estado e governo raramente participam pessoalmente, optando por enviar diplomatas.
Além dos líderes estrangeiros, o evento contou com a presença de figuras do setor de tecnologia, como Elon Musk, CEO da Tesla, Jeff Bezos, da Amazon, e Mark Zuckerberg, da Meta. A decisão de Trump de convidar essas figuras gerou controvérsias, já que muitos críticos questionam os vínculos do presidente com grandes empresários e sua postura em relação à regulação de grandes corporações.
Outro ponto que gerou divisões foi a presença de representantes de outros partidos políticos, como o brasileiro Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O próprio ex-presidente brasileiro havia sido convidado, mas foi impedido de participar da cerimônia devido a questões jurídicas relacionadas ao seu passaporte. Em seu lugar, a esposa, Michelle Bolsonaro, representou o ex-presidente, em mais uma demonstração da proximidade política entre Trump e os ex-líderes do Brasil.
Comício da Vitória: Discurso Vitorioso e Promessas de Ação Rápida
Antes da posse, Trump realizou um “comício da vitória” no dia 19 de janeiro, onde reiterou seu compromisso de implementar mudanças rápidas e substanciais. Durante o evento, Trump declarou que tomará medidas imediatas, com destaque para a “maior deportação da história” e a revisão das políticas públicas de diversidade, as quais ele considera um obstáculo ao fortalecimento do país. Aplaudido por milhares de apoiadores na Capital One Arena, Trump afirmou que a partir de sua posse os Estados Unidos “recuperarão sua grandeza e prosperidade”.
Além das promessas de ações rápidas no campo da imigração, Trump abordou questões relacionadas ao seu relacionamento com as plataformas digitais. O anúncio de que o TikTok, aplicativo que esteve sob risco de ser banido durante o governo anterior, será “restaurado” e liberado nos Estados Unidos, foi uma das partes mais aplaudidas do comício. Trump atribuiu o apoio de eleitores mais jovens ao uso da rede social e indicou que sua decisão visa garantir um avanço nas políticas de comunicação digital.
Outro ponto de destaque foi a promessa de Trump de que o governo federal dará fim à “ideologia woke” nas escolas, uma referência a movimentos sociais que, segundo ele, prejudicam o progresso do país. Durante o comício, ele também mencionou a possibilidade de conceder perdões a aqueles envolvidos no ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, o que gerou ampla repercussão no cenário político americano.
O Novo Rumo da Administração Trump: Expectativas e Controvérsias
O segundo mandato de Trump já começa com uma agenda cheia de propostas polêmicas que irão moldar a política dos Estados Unidos nos próximos anos. Com uma base de apoio sólida entre eleitores conservadores e republicanos, o presidente tem o respaldo necessário no Congresso para avançar em suas reformas. No entanto, sua postura agressiva em relação a temas como imigração, segurança e regulamentos ambientais, junto com a presença de aliados ultradireitistas, poderá acirrar ainda mais a polarização política no país.
Especialistas e analistas políticos estão de olho no impacto das medidas de Trump, especialmente no que diz respeito ao futuro das relações externas dos Estados Unidos e à manutenção de sua liderança no cenário internacional. A presença de líderes autocráticos e de extrema-direita em sua posse é um reflexo de uma postura externa que tende a se alinhar com movimentos populistas, enquanto a renacionalização de algumas políticas pode afetar diretamente as alianças históricas do país.
*Com informações do DW.
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