A dispersão do fluxo de usuários de drogas na Cracolândia, no centro de São Paulo, tem sido apontada como consequência direta das ações de repressão e violência policial na região. De acordo com Amanda Amparo, antropóloga e pesquisadora em Antropologia Social da Universidade de São Paulo (USP), a redução da concentração de pessoas na Rua dos Protestantes, destacada pela prefeitura, não reflete uma solução definitiva para a questão.
Entre janeiro e dezembro de 2024, a média de pessoas na Rua dos Protestantes caiu 73,14%, conforme dados divulgados pela prefeitura. Durante esse período, foram realizados 18.714 encaminhamentos para serviços municipais, e 679 pessoas alcançaram autonomia financeira. No entanto, Amanda Amparo observa que a dispersão territorial resultante da repressão criou novas cenas de uso problemático de drogas em outras regiões, como República e vias como Avenida Duque de Caxias e Rua Helvétia.
As operações policiais no local também aumentaram, com o número de prisões e apreensões subindo de 5.455 para 6.074 entre janeiro e setembro de 2024. Roberta Costa, antropóloga e integrante do movimento Craco Resiste, critica essas ações como ineficazes e prejudiciais. Segundo ela, a violência sistemática durante operações de “limpeza” da área, realizada duas vezes ao dia pela prefeitura, agrava a vulnerabilidade dos usuários, que sofrem violações de direitos durante o processo.
Além das denúncias de agressões, a dispersão dificulta o estabelecimento de vínculos necessários para atender adequadamente as pessoas em situação de vulnerabilidade. Roberta Costa alerta que a falta de estrutura para acolhimento e tratamento contribui para o aumento da população em situação de rua em São Paulo.
Amanda Amparo reforça que a criação de novas cenas de concentração é uma tentativa de proteção dos usuários contra a violência policial, mas evidencia a ausência de políticas públicas eficazes para o enfrentamento do problema. A antropóloga destaca que as iniciativas implementadas pela prefeitura não promoveram mudanças significativas na qualidade de vida dessas pessoas.
A dispersão das pessoas pela cidade, apontam as especialistas, demonstra a ineficiência das ações repressivas e a necessidade de políticas que priorizem o acolhimento, o tratamento e a reinserção social. Apesar de reiteradas solicitações, a prefeitura de São Paulo não se manifestou sobre o tema até o fechamento desta reportagem.
*Com informações da Agência Brasil.
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