A tradicional Lavagem do Bonfim será realizada nesta quinta-feira (16/01/2025), marcando os 280 anos da chegada da imagem do Senhor do Bonfim a Salvador. A celebração deste ano, que adota o tema “Amado Jesus, Senhor do Bonfim, Nossa Esperança, há 280 anos entre nós”, faz alusão ao Jubileu da Esperança convocado pelo Papa Francisco e ao marco histórico da chegada da imagem à Bahia, em abril de 1745.
A edição de 2025 contará com a participação de 79 entidades culturais cadastradas pela Empresa Salvador Turismo (Saltur), entre elas blocos afro, grupos percussivos e agremiações carnavalescas. Entre os destaques estão os tradicionais Afoxé Filhos de Gandhy, Ilê Aiyê, Muzenza, Malê Debalê, além de grupos como Amor e Paixão, Escola de Samba Filhos da Feira e o Rixô Elétrico.
A concentração dos grupos ocorrerá na Avenida Contorno, com início à 0h. O cortejo terá início após o Ato de Fé, previsto para ocorrer entre 8h e 9h, na Basílica Santuário Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio. A programação religiosa e cultural seguirá até a Colina Sagrada, onde acontece o ponto alto da festividade: a lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim com água de cheiro, conduzida pelas baianas.
Outras atividades integram o evento, como a Corrida Sagrada, promovida pela Federação Bahiana de Atletismo, que terá início às 6h30 e faz parte do calendário esportivo da cidade.
Às 7h, será realizada a 16ª Caminhada “Lavagem de Corpo e Alma”, reunindo fiéis e devotos. A programação também inclui apresentações musicais, como o coral regido pelo maestro David, que entoará o Hino ao Nosso Senhor do Bonfim às 9h, acompanhado por uma queima de fogos na rampa do Mercado Modelo.
O historiador Murilo Mello destacou a relevância histórica e cultural do evento, ressaltando que sua popularidade está atrelada à apropriação coletiva pela população baiana.
“A Lavagem do Bonfim não é uma liturgia tão somente católica, é uma liturgia do entendimento do povo. O povo sempre se manifestou no Bonfim mais fora da igreja do que dentro. O ser humano precisa disso para manter a vida, dessa ruptura com o trabalho, com as obrigações. Talvez por ter sido abraçada pelo povo de santo e pelo povo baiano, a Lavagem do Bonfim tenha permanecido viva e tão popular”, afirma.
A celebração reforça a conexão entre a devoção religiosa e as expressões culturais, consolidando a Lavagem do Bonfim como uma das maiores manifestações populares do Brasil.







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